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Deputado Antônio Doido é alvo de operação da PF contra desvio de verbas

Uma operação da Polícia Federal nesta terça-feira mirou o deputado federal Antônio Doido, do Pará. A ação, batizada de Igapó, cumpriu 31 mandados de busca e apreensão nos estados do Pará e no Distrito Federal. A investigação visa desvendar um suposto esquema de desvio de verbas públicas e corrupção.

Os mandados foram autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino. Durante as buscas, os policiais federais apreenderam celulares e diversos aparelhos eletrônicos. A justiça também determinou a quebra do sigilo de dados telefônicos e telemáticos dos investigados.

O foco da operação é um esquema de lavagem de dinheiro. Segundo as investigações, recursos de contratos públicos eram desviados para finalidades eleitorais irregulares. O dinheiro também servia para a aquisição de patrimônio em nome de integrantes do grupo.

O esquema e os valores envolvidos

As investigações apontam que o coronel da Polícia Militar do Pará, Francisco Galhardo, era uma peça central no esquema. Ele foi preso em outubro do ano passado, ao sacar quase cinco milhões de reais em uma agência bancária. O saque ocorreu a apenas dois dias das eleições municipais.

De acordo com a decisão do ministro Flávio Dino, o deputado Antônio Doido não apenas tinha conhecimento da operação, como a monitorava. O documento judicial afirma que o coronel Francisco se utilizava de um grupo de policiais militares para movimentar altas quantias em espécie. Tudo isso supostamente sob a coordenação do parlamentar.

O ministro determinou o bloqueio de contas bancárias de doze pessoas físicas e jurídicas. Os valores bloqueados ultrapassam a marca de dezessete milhões de reais. A medida visa impedir que os recursos supostamente ilícitos sejam movimentados durante o processo investigatório.

Os crimes apurados e o contexto político

A lista de crimes sendo investigados é extensa e grave. Inclui corrupção eleitoral, corrupção ativa e passiva, crimes licitatórios, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Cada um desses crimes possui penas severas previstas em lei, podendo levar a longos períodos de prisão.

Este não é o primeiro revés judicial do deputado neste ano. No início do mês, a Justiça Eleitoral no Pará o tornou inelegível por oito anos. A decisão foi baseada em abuso de poder político e econômico durante as eleições municipais de 2024. Contra essa decisão, ainda cabe recurso.

A operação Igapó joga luz sobre mecanismos complexos de desvio de dinheiro público. Ela mostra como investigações detalhadas podem seguir o rastro do dinheiro, desde contratos suspeitos até saques vultosos em espécie. O caso segue em andamento, com a análise das provas coletadas.

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