O Carnaval deste ano promete agitar não apenas as avenidas, mas também o cenário político. O presidente Lula deve unir a folia aos compromissos de governo, com uma agenda intensa durante os dias de festa. As viagens ainda não estão oficialmente confirmadas pelo Planalto, mas aliados nas cidades envolvidas tratam os planos como certos.
A estratégia é clara: aproveitar a enorme visibilidade do período para fortalecer laços com parceiros políticos. Além disso, é uma chance valiosa de ser visto pelo eleitorado de perto, em um contexto de alegria e popularidade. Em ano de eleição, cada aparição pública é calculada com cuidado.
O roteiro inclui três capitais fundamentais no mapa político do país: Rio de Janeiro, Recife e Salvador. Cada visita tem um significado especial e objetivos concretos. É a política e a cultura caminhando juntas, em um momento único da vida nacional.
A homenagem no Rio e a força do eleitorado
No domingo de Carnaval, a atenção deve se voltar para a Marquês de Sapucaí. Lula deve assistir ao desfile da Acadêmicos de Niterói, escola que vai homenageá-lo diretamente. O enredo, intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, gerou até recomendação de veto a recursos por parte de técnicos do Tribunal de Contas da União.
A escola tem direito a uma cota de patrocínio da Embratur, como todas do Grupo Especial. A polêmica não deve impedir a presença do presidente, que transforma o evento em um palco político de grande alcance. O Rio possui o terceiro maior colégio eleitoral do Brasil, com cerca de 13 milhões de votos.
Uma boa performance eleitoral no estado é considerada fundamental para qualquer projeto nacional. Na cidade, Lula deve se encontrar com o prefeito Eduardo Paes, aliado e pré-candidato ao governo estadual. A articulação para formar uma chapa forte local, possivelmente com a deputada Benedita da Silva, é parte desse movimento.
A articulação em Recife e os aliados pernambucanos
Antes do Rio, o sábado de Carnaval reserva uma passagem por Recife. O convite partiu do prefeito João Campos, e o plano é acompanhar o desfile do famoso Galo da Madrugada pela manhã. Uma equipe de assessores do Planalto já foi vistoriar o local que receberá a comitiva presidencial.
A visita tem um sabor político peculiar. Lula precisa equilibrar o apoio a duas forças que são adversárias entre si em Pernambuco. Ele mantém aliança com o prefeito João Campos, que quer o governo do estado, e também com a atual governadora, Raquel Lyra, que busca a reeleição.
É um malabarismo político típico do período eleitoral, onde o objetivo nacional exige costurar apoios diversos. A presença no bloco mais tradicional da cidade é um gesto de valorização dessas parcerias. Mostra o presidente próximo da cultura popular e dos líderes locais.
A noite em Salvador e o cenário desafiador
No mesmo sábado, a agenda prevê um voo para Salvador. Lula deve fechar o dia assistindo ao bloco Os Mascarados, que desfila à noite. A atração musical principal será a ministra da Cultura, Margareth Menezes, baiana de forte conexão com a cena cultural.
A ideia de prestigiar o show partiu da primeira-dama, Janja Lula da Silva. Mas o contexto baiano vai muito além da festa. A Bahia é o quarto maior colégio eleitoral e deu uma votação massiva a Lula em 2022, sendo decisiva para sua vitória.
Agora, o governador petista Jerônimo Rodrigues enfrenta uma reeleição ameaçada. Lula tenta, com sua popularidade no estado, transferir parte desse capital político para o aliado. A aparição no Carnaval de Salvador é um reforço simbólico nessa direção, em um estado onde a disputa promete ser acirrada.
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