Nos próximos meses, o cenário político brasileiro deve se movimentar com uma série de ações da Polícia Federal. O alvo principal são as suspeitas de irregularidades nas famosas emendas parlamentares. A expectativa é que o ritmo dessas operações se intensifique até o período eleitoral, que começa no segundo semestre.
Agentes e procuradores avaliam que há material de investigação robusto suficiente para justificar uma aceleração. O objetivo é realizar a maioria dessas ações antes da campanha eleitoral propriamente dita. A ideia é evitar qualquer acusação de que a polícia esteja sendo instrumentalizada para fins políticos em um momento tão sensível.
Diferentes equipes já trabalham nesses casos desde o ano passado. Essas apurações, naturalmente, geram atritos e alimentam a conhecida tensão entre o Poder Legislativo e o Judiciário. Integrantes da PF afirmam que não há pressa artificial, mas sim um volume de dados que permite avançar. Para a corporação, é melhor concentrar as grandes operações fora dos picos de tensão eleitoral.
O volume de investigações em curso
O Supremo Tribunal Federal supervisiona sozinho um grande número dessas apurações. No início do ano passado, estimava-se que havia ao menos oitenta investigações relacionadas a emendas com suspeitas diretas sobre deputados ou senadores. Esse número, segundo assessores da corte, só cresceu de 2025 para cá.
Uma parte significativa desses processos está sob a relatoria do ministro Flávio Dino. Ao assumir o cargo no STF, ele ficou responsável por ações sobre as chamadas emendas de relator, já declaradas inconstitucionais. Dino tem usado esses processos para cobrar mais transparência e regularidade na aplicação de todos os tipos de emenda.
Foi ele, por exemplo, quem ordenou à PF um detalhado exame sobre as emendas Pix de noventa e dois políticos com passagem pelo Congresso. O objetivo era verificar a necessidade de abrir novas investigações por crimes como corrupção e prevaricação. Esse trabalho minucioso é um exemplo do nível de escrutínio atual.
As operações em destaque
Uma das operações mais emblemáticas sob a alçada do ministro Dino é a Transparência. Em dezembro do ano passado, ela cumpriu mandados de busca e apreensão relacionados a Mariângela Fialek, a Tuca, assessora do ex-presidente da Câmara Arthur Lira. Houve buscas até na sala dela dentro do próprio Congresso.
Conforme já divulgado, dezenas de planilhas com dados sobre emendas foram apreendidas nos endereços de Tuca. Esse material está sob análise detalhada da Polícia Federal. A defesa dela nega, desde o início, qualquer irregularidade. Mas a operação ilustra como as investigações estão chegando a figuras centrais no processo de destinação de recursos.
Outros ministros do Supremo também estão à frente de ações similares. Recentemente, a ministra Cármen Lúcia autorizou buscas envolvendo o deputado Eduardo Velloso, do União Brasil do Acre, por suspeitas em desvios de emendas Pix. Em vídeo, o parlamentar afirmou não ter relação com destinações irregulares, transferindo a responsabilidade pela execução aos municípios.
Outras frentes de apuração
Além da Transparência, outra operação de grande porte é a Overclean. Com nove fases já realizadas, ela atingiu prefeitos, deputados e servidores. A operação, relatada pelo ministro Kassio Nunes Marques, investiga desvios de recursos de emendas e convênios, com foco em um órgão federal de combate à seca.
Três deputados federais da Bahia são alvos dessa investigação: Felix Mendonça Júnior, Dal Barreto e Elmar Nascimento. Todos negam veementemente qualquer irregularidade. A operação mostra que o esquema suspeito não se limitava a uma única modalidade de repasse ou a uma região específica do país.
As investigações também avançam em outras frentes. Uma ação autorizada pelo ministro Gilmar Mendes no ano passado visava identificar possíveis envolvidos com foro especial. A lista incluía quatro parlamentares do Ceará, entre eles o líder do governo na Câmara. Paralelamente, há apurações sobre supostos desvios de cotas parlamentares, que levaram a buscas contra outros deputados. O clima é de muita movimentação nos gabinetes de investigação.
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