A justiça francesa está investigando a plataforma X, antigo Twitter, por suspeitas de manipulação algorítmica e outros crimes graves. Elon Musk e Linda Yaccarino, principais líderes da empresa na época dos fatos, foram formalmente convocados para depor. As audiências estão marcadas para acontecer em Paris até o final de abril de 2026.
Além deles, vários outros funcionários da empresa também serão ouvidos como testemunhas. As autoridades optaram por um formato de “audição livre”, que visa um diálogo mais construtivo. O objetivo é ouvir a versão dos gestores e entender quais medidas podem ser tomadas para garantir que a rede social cumpra as leis locais.
Paralelamente às convocações, as instalações francesas da plataforma X receberam uma operação de busca. Tudo isso faz parte de um inquérito que começou no início de 2025. A investigação nasceu de uma denúncia de deputados que alertaram para possíveis algoritmos enviesados na rede.
Esses algoritmos, segundo as acusações, poderiam ter comprometido o funcionamento normal da plataforma. Eles teriam promovido desequilíbrios na visibilidade de certos conteúdos. A denúncia inicial apontava para uma super-representação de materiais considerados politicamente extremos ou “nauseantes”.
Com o tempo, o escopo da investigação se ampliou significativamente. Os procuradores agora também investigam crimes mais graves ligados ao conteúdo da plataforma. Entre eles está a possível cumplicidade na difusão de pornografia infantil.
Outro ponto sob análise é a proliferação de “deepfakes”, vídeos falsos com manipulação sexual. O negacionismo, ou a disseminação em massa de informações falsas sobre temas graves, também integra o processo. A justiça francesa leva esses casos a sério e age com rigor.
O caso tem um precedente importante recente na França. A plataforma de streaming Kick foi alvo de ação judicial após a morte de um criador de conteúdo. No fim de janeiro, o Ministério Público de Paris emitiu mandados de prisão contra três gestores daquela empresa.
Os investigados, no entanto, não compareceram perante a justiça francesa. Esse episódio mostra a disposição das autoridades em responsabilizar líderes de plataformas digitais. A lei francesa exige que as empresas operando no país respeitem a legislação local, especialmente em temas sensíveis.
O inquérito contra a X começou com uma denúncia formal do deputado Eric Bothorel, em janeiro de 2025. Ele expressou preocupação com mudanças nos algoritmos após a aquisição da plataforma por Elon Musk. O parlamentar citou “aparentes interferências” na gestão do antigo Twitter.
Uma segunda denúncia partiu de um diretor de cibersegurança do serviço público francês. Ela reforçava a tese de que as alterações técnicas teriam distorcido o fluxo de informações. O foco das autoridades, portanto, é entender o impacto real dessas mudanças e sua conformidade com a lei.
O desfecho desse processo pode estabelecer um novo marco para a moderação de conteúdo na Europa. Enquanto isso, a plataforma X precisa colaborar com as investigações em curso. O resultado terá repercussões para todas as grandes redes sociais que operam no continente.
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