A corrida eleitoral de 2026 já começou nos bastidores, e o mapa do poder revela uma concentração impressionante. Apenas doze estados brasileiros reúnem 83% do eleitorado nacional, um total de quase 129 milhões de votos. É nesses territórios que a campanha pela reeleição do presidente Lula está focando toda sua energia.
A estratégia envolve uma mudança significativa. Para conquistar esses colégios eleitorais decisivos, o PT não insiste em liderar todas as chapas. Em seis desses doze estados, o partido já desistiu de ter seu próprio nome na corrida pelo governo estadual. Isso mostra um movimento pragmático em busca de alianças mais amplas.
São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os três maiores colégios eleitorais, são exemplos claros. Neles, os candidatos a governador apoiados pela base governista não serão filiados ao PT. Essa flexibilidade é um sinal dos novos tempos na política nacional, onde costurar apoios diversos se torna fundamental.
Onde o PT terá candidato próprio
Dentre a dúzia de estados-chave, o partido do presidente tem certeza da candidatura própria em apenas três unidades. A Bahia é o palco de uma decisão complexa. A dúvida é se o governador Jerônimo Albuquerque tentará a reeleição ou cederá espaço para o ministro Rui Costa, visto como mais competitivo contra ACM Neto.
No Ceará, o governador Elmano de Freitas recuperou popularidade e é o antagonista natural de Ciro Gomes. Ainda se avalia, porém, uma troca tática. A possibilidade de o ministro da Educação, Camilo Santana, voltar à corrida permanece em aberto, pois ele teria um caminho eleitoral mais favorável.
Já no Maranhão, a missão ficará com o vice-governador Felipe Camarão. Ele assume a difícil tarefa de restaurar o legado das administrações de Flávio Dino no estado. Camarão fará isso sem o apoio do governador atual, Carlos Brandão, com quem já rompeu publicamente.
Os estados das negociações em aberto
Rio Grande do Sul, Paraná e Goiás representam os maiores quebra-cabeças para a estratégia petista. No estado gaúcho, ensaia-se uma ampla aliança de centro-esquerda. A neta de Brizola, Juliana Brizola, e Edegar Preto, da Conab, disputam a liderança da chapa, com a primeira tendo maior viabilidade eleitoral.
No Paraná, a possibilidade mais interessante é a reconciliação com o ex-governador Roberto Requião. Se esse esforço fracassar, o nome do diretor de Itaipu, Enio Verri, ganha força. A prioridade absoluta da campanha, no entanto, será eleger a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, para o Senado.
Em Goiás, a deputada Adriana Accorsi tem desempenho para ser a candidata, mas o cenário é árduo. O estado possui o eleitorado mais resistente ao PT no país. Por isso, cenários pragmáticos são estudados, incluindo até mesmo um apoio indireto de antigos adversários para tentar derrotar o governador Ronaldo Caiado.
A parceria estratégica com o PSD
Um dos pilares da construção dos palanques é a parceria com o PSD. Esse partido é peça-chave nas negociações em seis dos doze grandes eleitorados. Em Minas Gerais, segundo maior colégio do país, o PT já decidiu apoiar um nome do PSD para o governo, abrindo mão de uma candidatura própria.
No Rio de Janeiro, o apoio será ao prefeito Eduardo Paes. Em Pernambuco, Lula pretende dividir o palanque entre a governadora Raquel Lyra, do PSD, e o prefeito João Campos, do PSB. Até um evento tripartide com o Psol é especulado no estado natal do presidente.
Em Santa Catarina, as conversas avançam com o popular prefeito de Chapecó, João Rodrigues. A decisão será pragmática, visando repetir a força que Décio Lima, do PT, mostrou em 2022, quando chegou ao segundo turno. A costura bem-sucedida nessas frentes definirá o ritmo da campanha nacional.
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