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Grupo Fictor pede recuperação judicial após tentar comprar Banco Master

O Grupo Fictor deu um passo importante no último domingo para reorganizar suas contas. A empresa protocolou um pedido de recuperação judicial em São Paulo. A dívida total é estimada em cerca de quatro bilhões de reais.

A decisão está diretamente ligada a um evento traumático para o mercado financeiro. Meses atrás, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master. Esse fato, segundo a holding, foi crucial para desencadear a crise de liquidez que vive hoje.

Um consórcio que incluía um dos sócios da Fictor estava prestes a comprar o Master. A intervenção do BC, porém, acabou com a negociação no dia anterior. O episódio gerou uma onda de especulações que atingiu em cheio a saúde financeira do grupo.

A empresa é categórica ao afirmar que sempre honrou seus compromissos. Em comunicado, classifica a situação como uma "crise de liquidez momentânea". Tudo começou, segundo eles, em 18 de novembro do ano passado, com a decisão do Banco Central.

Até aquela data, não havia histórico de inadimplência. O pedido à Justiça agora busca um respiro inicial de 180 dias. O objetivo é suspender ações de cobrança individual para que um plano de reestruturação possa ser negociado com calma.

A ideia é criar um ambiente estável para as conversas com credores. Sem a pressão de bloqueios judiciais imediatos, a companhia acredita que encontrará uma solução melhor. O foco total está em reorganizar as finanças para seguir em frente.

Estratégia para honrar os compromissos

A intenção declarada do grupo é pagar todos os débitos integralmente. Não há previsão de deságio, ou seja, de pagar menos do que o devido. A renegociação buscará principalmente novos prazos e condições junto aos sócios participantes.

Esses sócios concentram a maior parte dos créditos a serem reestruturados. A recuperação judicial é vista como o caminho para garantir a continuidade dos negócios. A medida pretende preservar mais de dez mil empregos, diretos e indiretos.

Antes mesmo do pedido formal, a empresa já tinha iniciado um plano interno. Houve redução da estrutura física e do quadro de colaboradores. A companhia sustenta que todas as medidas respeitaram os direitos trabalhistas dos envolvidos.

Subsidiárias continuam operando normalmente

É importante deixar claro: as empresas operacionais do grupo não entraram no pedido. A recuperação judicial envolve apenas a holding, a empresa de controle. Suas subsidiárias seguem funcionando sem interrupção no dia a dia.

A principal delas é a Fictor Alimentos S.A., com unidades em Minas Gerais e Rio de Janeiro. Sozinha, ela responde por cerca de 3.500 empregos diretos e dez mil indiretos. Seu quadro de clientes permanece diversificado e ativo.

A estratégia foi desenhada justamente para isolar a crise financeira. Enquanto a holding se reorganiza, as operações produtivas seguem abastecendo o mercado. A meta é proteger fornecedores, clientes e, claro, os postos de trabalho.

Fundado em 2007, o Grupo Fictor atua em setores como agronegócio, energia e infraestrutura. A empresa nasceu como uma startup de tecnologia e depois se tornou uma gestora de investimentos. Seu reposicionamento recente focou em setores estratégicos da economia.

O grupo havia se unido a investidores dos Emirados Árabes para a compra do Banco Master. A operação não se concretizou, mas mostra o perfil de atuação da holding. Agora, o desafio é superar este momento conturbado e recuperar o fôlego.

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