Brasileirão volta a começar em janeiro após 34 anos: entenda o motivo e reviva as edições históricas
O Campeonato Brasileiro de 2026 já começou, e isso por si só é uma grande novidade. Pela primeira vez em mais de três décadas, a competição nacional volta a ter sua rodada inaugural no mês de janeiro. A última vez que isso aconteceu foi lá em 1992, um tempo bem diferente do futebol atual. Essa mudança é parte de uma grande reorganização do calendário do futebol brasileiro.
Com o pontapé inicial dado agora, a bola rolará até o início de dezembro. Isso faz desta edição a mais longa da história do Brasileirão. O torneio vai ocupar praticamente todo o ano, com suas 38 rodadas distribuídas ao longo de doze meses. No meio do caminho, haverá uma pausa de quase dois meses por causa da Copa do Mundo de seleções.
Essa paralisação obrigou a Confederação Brasileira de Futebol a repensar todo o cronograma nacional. Os estaduais, por exemplo, terão seu espaço um pouco reduzido. A ideia é deixar o calendário menos apertado e mais alinhado com os compromissos internacionais. É uma tentativa de organizar a bagunça que todos conhecemos.
Um retorno aos antigos tempos
Olhando para o passado, começar o Brasileirão em janeiro não é exatamente uma ideia nova. Durante os anos 80 e início dos 90, essa era a regra. Os estaduais normalmente ocupavam o segundo semestre do ano. De 1971 pra cá, seis edições do campeonato começaram de fato no primeiro mês do ano. A de 2026 será a sétima.
Houve outros anos em que jogos foram realizados em janeiro, mas por um motivo diferente. Eram edições que se estenderam além do previsto, arrastando-se pelo começo do ano seguinte. Isso ocorreu em 1973, 1986 e até em 2020, por causa da pandemia. Agora, a decisão é proposital e faz parte de um novo desenho.
O cenário de 1992, última vez em que isso ocorreu, era completamente distinto. O Brasil ainda era tricampeão mundial, não se falava em pontos corridos e a Copa do Brasil dava seus primeiros passos. Os clubes brasileiros tinham menos conquistas internacionais. O futebol era outro, mas a paixão nacional, claro, sempre a mesma.
O formato peculiar do campeonato de 1992
A competição daquele ano foi disputada de um jeito bem diferente do atual sistema de pontos corridos. Vinte times se enfrentaram em turno único na primeira fase. Os oito melhores se classificaram para uma segunda etapa, dividida em dois grupos de quatro clubes cada. Dentro desses grupos, os times jogaram entre si em turno e returno.
Os líderes de cada chave avançaram para a grande final. A decisão foi em jogos de ida e volta, com o mando de campo do jogo decisivo indo para o time de melhor campanha. Esse modelo, curiosamente, é bem parecido com o que é usado hoje na Série C do Brasileirão. Era um formato que privilegiava as fases decisivas e os mata-matas.
Naquele ano, Flamengo e Botafogo lideraram seus grupos e fizeram uma final inédita entre eles. O primeiro jogo, no Maracanã, terminou com uma goleada rubro-negra por 3 a 0. O returno, uma semana depois, ficou marcado por uma tragédia com o desabamento parcial de uma arquibancada, que causou três mortes.
O contexto atual da mudança
Apesar do retorno a um calendário antigo, o contexto de 2026 é totalmente novo. A CBF afirma que a mudança busca harmonizar o futebol brasileiro com o calendário internacional. A meta é reduzir os constantes conflitos com datas FIFA e convocações para a seleção brasileira. É uma resposta aos reclamos dos clubes.
A medida também tenta criar janelas mais bem definidas para as fases decisivas da Copa do Brasil. O mesmo vale para os compromissos nas competições continentais, como a Libertadores e a Sul-Americana. A ideia é que cada torneio tenha seu espaço, sem tanto sobreposição e cansaço para os atletas.
O torneio mais longo da história promete ser um teste de elenco e planejamento para todos os clubes. Com a pausa pela Copa do Mundo no meio do caminho, os times precisarão gerir bem seu plantel. Quem se adaptar melhor a esse novo ritmo pode sair com vantagem nessa longa maratona que só termina em dezembro.
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