Três pessoas foram diagnosticadas com a doença de Haff em Itacoatiara, no Amazonas. Os registros aconteceram ao longo de 2025, conforme divulgado pelas autoridades de saúde locais. Essa é uma condição rara, mas que exige atenção por sua relação direta com o consumo de alguns pescados.
A doença, popularmente chamada de "doença da urina preta", provoca uma destruição repentina das fibras musculares. O problema geralmente surge após a ingestão de peixes ou crustáceos contaminados por uma toxina ainda misteriosa para a ciência. Os sintomas costumam ser intensos e aparecem de forma rápida.
Entre os principais sinais estão dores musculares fortes, uma rigidez no corpo e uma fraqueza que impede atividades simples. Um sinal muito característico é a alteração na urina, que fica com uma cor escura, parecida com café. Diante de qualquer suspeita, buscar um serviço de saúde imediatamente é fundamental.
Casos confirmados no estado
Em 2025, o Amazonas registrou nove notificações de síndromes compatíveis com rabdomiólise em três cidades. Desse total, apenas os três ocorridos em Itacoatiara receberam confirmação para doença de Haff. Dois dos pacientes pertencem à mesma família, o que reforça o vínculo com um alimento consumido em comum.
Os casos aconteceram em junho e dezembro, na área urbana do município. Os pacientes relataram que os sintomas começaram, em média, nove horas depois de comer o peixe. O pescado envolvido foi principalmente o pacu, preparado frito ou assado e consumido em casa, em refeições familiares.
Isso mostra que o risco não está no modo de preparo, como fritar ou assar, mas sim na possível toxina presente no animal. A vigilância sanitária investiga a origem desses peixes para tentar entender o ciclo de contaminação. A atenção deve ser redobrada com pescados de água doce.
Entendendo a gravidade
O diagnóstico é confirmado por exames de sangue que medem os níveis de uma enzima chamada creatinofosfoquinase, a CPK. Nos pacientes de Itacoatiara, a média foi de 6.400 U/L, um número muito alto. O valor considerado normal para um adulto varia apenas entre 20 e 200 U/L.
Esse pico na enzima é um marcador claro da destruição muscular que está ocorrendo no corpo. A rabdomiólise libera substâncias na corrente sanguínea que podem sobrecarregar os rins. Por isso, a urina escura é um sinal de alerta urgente, indicando que o órgão pode estar em sofrimento.
Todos os casos passaram por uma investigação detalhada das vigilâncias municipais e estadual. O acompanhamento rigoroso ajuda a mapear os hábitos alimentares e a origem do pescado. O objetivo é evitar novos casos e orientar a população sobre os riscos, sem causar alarde desnecessário.
Como se prevenir
A doença de Haff é imprevisível, pois a toxina não altera o sabor, cheiro ou aparência do peixe. Cozinhar, fritar ou assar não garante a destruição dessa substância. A principal dica é ter cuidado com a procedência do pescado, preferindo sempre fontes conhecidas e regulamentadas.
Fique atento aos sintomas nas primeiras 24 horas após uma refeição com peixe. Dores musculares anormais, especialmente nas costas e panturrilhas, e qualquer mudança na cor da urina merecem atenção médica imediata. O tratamento precoce é essencial para proteger os rins e garantir a recuperação.
A situação serve como um lembrete importante para toda a população. O consumo de pescado é muito seguro e nutritivo, mas é preciso estar informado. Casos como esses são raros, mas saber reconhecer os sinais pode fazer toda a diferença para a saúde de todos.
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