Agora que o mandato dele na Câmara acabou, Eduardo Bolsonaro está usando seus contatos no exterior de um jeito diferente. O foco agora é totalmente no irmão, o senador Flávio Bolsonaro. A ideia é apresentá-lo a lideranças internacionais de direita, construindo uma imagem sólida para a pré-candidatura à Presidência em 2026. Essa movimentação ganhou um ritmo intenso com uma viagem recente ao Oriente Médio.
A jornada começou oficialmente como uma missão do Senado, com previsão de custeio público. Os planos, porém, mudaram no meio do caminho. O senador estendeu a viagem e decidiu bancar as despesas com recursos próprios. O roteiro incluiu Israel e Bahrein, com passagens confirmadas pelos Emirados Árabes Unidos e Catar.
Enquanto isso, Eduardo, que atualmente mora nos Estados Unidos, segue sendo tratado como parlamentar em eventos no exterior. Mesmo cassado e após perder influência em certos círculos, sua rede de aliados permanece ativa. Essa rede é o principal ativo que ele está mobilizando para abrir portas ao irmão em gabinetes estrangeiros.
Os encontros e a estratégia de imagem
Em Israel, Flávio deixou clara sua ambição em um discurso público. Ele se apresentou não apenas como senador, mas como pré-candidato à presidência do Brasil. O evento reuniu figuras importantes da direita global, criando um palco ideal para esse tipo de anúncio. A fala conectou a imagem dele a uma nova fase de cooperação internacional.
A agenda de compromissos foi repleta de reuniões de alto nível. Eles se encontraram com o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu e o presidente Isaac Herzog. Também gravaram vídeos com ministros e conversaram com ex-líderes europeus. Cada foto publicada ao lado de uma autoridade estrangeira reforça a narrativa de que Flávio tem respaldo internacional.
Essa exposição é cuidadosamente registrada e compartilhada. Uma foto com o embaixador argentino, por exemplo, foi repostada pelo presidente Javier Milei. Parlamentares europeus publicaram mensagens de apoio direto à candidatura de Flávio. Cada imagem e cada declaração são peças de um quebra-cabeça maior, montado para o eleitor brasileiro.
A mudança de papel de Flávio e o capital político de Eduardo
Por anos, Flávio Bolsonaro manteve um perfil mais reservado nas investidas internacionais da família. Ele não participou de comitivas bolsonaristas que viajaram para denunciar uma suposta ditadura no Brasil. Suas viagens oficiais como senador foram poucas e com objetivos específicos, como visitar prisões em El Salvador.
Agora, a situação é outra. Ele está no centro dos esforços para construir alianças. Especialistas em relações internacionais veem isso como um movimento estratégico típico de grupos de extrema direita. A ascensão deles é um fenômeno global, e pertencer a esse clube fortalece a imagem internamente. O apoio externo pode ajudar a reduzir o custo político de posições mais radicais.
Nesse processo, a figura de Eduardo é fundamental. Ele acumulou um capital político considerável junto a esses líderes estrangeiros ao longo de vários anos. O que se vê agora é a tentativa de transferir parte desse capital para o irmão. A meta é apresentar Flávio como o herdeiro natural dessa rede já consolidada, garantindo continuidade ao projeto político da família. A viagem pelo Oriente Médio é apenas um capítulo dessa nova fase.
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