Os partidos que formam o chamado Centrão já entenderam que não podem contar com o governador Tarcísio de Freitas como candidato à Presidência neste ano. A expectativa de uma alternativa forte na direita se dissipou, e a presença de Flávio Bolsonaro na disputa pelo Planalto agora é vista como inevitável. Esse cenário, porém, não significa apoio automático a ele.
A resistência em apoiar o senador logo no primeiro turno fez com que essas legendas buscassem outros caminhos. O PSD, por exemplo, deu um sinal claro ao oficializar a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que insiste em ter um projeto nacional. A legenda trabalha com a premissa de que Tarcísio ficará em São Paulo.
A estratégia do PSD é tentar criar uma opção viável na centro-direita, na esperança de chegar ao segundo turno. Se isso não acontecer, a tendência dentro do partido é repetir a neutralidade da eleição passada, sem declarar apoio a Lula ou a Flávio Bolsonaro. O movimento visa, sobretudo, não prejudicar as campanhas estaduais.
A busca por uma terceira via
Para os partidos de oposição ao governo Lula, a candidatura do PSD surge como uma nova possibilidade. Ela oferece uma rota diferente da simples neutralidade ou do alinhamento total com Flávio. Em recente evento, o próprio Caiado disse que buscará o apoio de outras siglas do centro, como MDB, PP e União Brasil.
Essa articulação tenta construir um caminho que não force os partidos a um apoio prematuro. A ordem nos bastidores é focar primeiro nas eleições para governos, deputados e senadores nos estados. A decisão nacional pode esperar até abril, perto do prazo final para as coligações.
A União Progressista, federação formada por PP e União Brasil, é um exemplo dessa cautela. A aliança resiste aos pedidos de apoio de Flávio no primeiro turno. Um compromisso muito claro com ele poderia, na avaliação interna, atrapalhar a eleição de parlamentares em estados onde o voto em Lula é mais forte.
O jogo de expectativas e alianças
O Republicanos, partido do próprio Tarcísio, também tende à neutralidade na corrida presidencial. A cúpula da sigla sempre defendeu que o governador se reelegesse em São Paulo, visto como um cargo certo, em vez de se arriscar nacionalmente. A recente nomeação de um dirigente partidário para a Casa Civil reforçou esses laços.
Embora Tarcísio já tenha declarado apoio pessoal a Flávio, o partido mantém suas opções em aberto. Há espaço para negociar com o PSD e fortalecer uma terceira via que não comprometa as campanhas estaduais. Um acordo é desejado tanto pelo senador quanto pelos pré-candidatos do PSD.
Outras legendas, como o MDB, avaliam que Tarcísio deve mesmo tentar a reeleição. O partido, que tem ministros no governo Lula, estuda manter a neutralidade — um apoio a Flávio é considerado improvável. Já o Solidariedade, que não conta mais com Tarcísio, deve liberar seus filiados para apoiarem quem quiserem.
O quadro mostra que, embora a candidatura de Flávio Bolsonaro seja tida como fato, ela não unificou a direita e o centro. Os partidos seguem manobrando para preservar seus interesses locais, enquanto o Palácio do Planalto observa, sem pressa, essa fragmentação do campo opositor. A política, como se sabe, é dinâmica e sempre pode surpreender.
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