Um ministro do Supremo Tribunal Federal autorizou a Polícia Federal a investigar uma operação suspeita nas redes sociais. O alvo era o Banco Central. A suspeita é de que um banqueiro contratou dezenas de influenciadores para atacar a instituição publicamente. A estratégia teria sido montada para desgastar a imagem do BC em meio a uma crise envolvendo seu banco.
A PF identificou cerca de quarenta perfis recrutados para integrar o chamado “Projeto DV”. As iniciais são uma referência a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O esquema envolvia um contrato de confidencialidade no valor de oitocentos mil reais. A quebra do sigilo resultaria em uma multa desse mesmo valor.
A articulação começou em meados de dezembro. Agentes da polícia já se referem ao caso como o “gabinete do ódio” do banqueiro. A expressão remete a redes de desinformação usadas em governos anteriores. O objetivo aqui, porém, era outro: minar a credibilidade das autoridades financeiras que investigam sua instituição.
A abordagem aos influenciadores
Um vereador do Rio Grande do Sul relatou ter sido procurado. Rony Gabriel contou que um profissional de marketing o abordou em vinte de dezembro. O marketeiro se apresentou como André Salvador e falou em “gerenciamento de reputação”. O serviço seria para um executivo importante, mas o nome não foi revelado inicialmente.
No dia seguinte, a mesma pessoa entrou em contato com um deputado estadual de São Paulo. André Salvador afirmava atuar por uma agência específica. Gravações de tela mostram que ambos os políticos recusaram a proposta. A reportagem tentou ouvir o responsável pela abordagem, mas não obteve retorno.
O contrato enviado ao vereador era bastante restritivo. Ele classificava como confidenciais todas as estratégias e informações do plano. Até os nomes de outros participantes da campanha deveriam ser mantidos em segredo. O documento deixava claro o alto custo de qualquer vazamento.
O conteúdo da campanha
Junto com a proposta, foram enviados exemplos do que seria publicado. Eram vídeos criticando a atuação do Banco Central no caso Master. O material era de influenciadores financeiros e um perfil de humor. O objetivo era alinhar o discurso às defesas apresentadas pelo Banco Master.
O perfil humorístico Alfinetada publicou um vídeo específico. O conteúdo atacava o ex-diretor do BC Renato Gomes. Havia menções a rumores sobre sua carreira. A página é assessorada por um grupo de comunicação, que negou envolvimento com o esquema.
O grupo afirmou que seu trabalho se limita à publicidade legal para marcas. Disse também que nunca foi procurado para intermediar ações ligadas ao Banco Master. A empresa reforçou que segue todas as normas do Conar em suas representações.
O alvo principal das críticas
O foco da campanha era claro: Renato Gomes. Ele foi diretor de Organização do Sistema Financeiro no BC. Foi sua área que recomendou vetar a venda do Banco Master a outro banco. As análises de sua equipe subsidiaram as investigações do Ministério Público.
As críticas buscavam desgastar a imagem do ex-diretor. O conteúdo questionava sua atuação e mencionava supostas transições de carreira. A estratégia parecia tentar criar uma narrativa pública favorável ao banco.
O caso segue sob investigação da Polícia Federal. A autorização do ministro Toffoli permite aprofundar as apurações sobre a rede. O objetivo é entender a extensão e os detalhes operacionais desse suposto esquema de influência digital.
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