Kristen Stewart não é de ficar quieta quando o assunto é a indústria do cinema. Desta vez, a atriz que conquistou o mundo como Bella Swan em "Crepúsculo" colocou o dedo numa ferida conhecida. Ela critica a forma como Hollywood trata as atrizes, muitas vezes sem o mesmo respeito dado aos diretores.
Em uma entrevista recente, ela foi direta. Disse que atrizes são frequentemente tratadas como se qualquer pessoa pudesse fazer seu trabalho. O reconhecimento como artista de verdade, segundo ela, parece reservado apenas para quem está atrás das câmeras. Essa percepção vem de uma carreira que começou ainda na infância.
Ela só sentiu um verdadeiro respeito criativo quando assumiu o papel de diretora. Foi uma experiência que abriu seus olhos. A validação que ela buscava há anos finalmente apareceu. Não quando atuava, mas quando começou a comandar o set.
A difícil rotina diante das câmeras
Stewart descreve uma dinâmica cansativa. A atriz precisa constantemente provar que sabe o que está fazendo. Cada entrada em um novo projeto parece começar do zero. A desconfiança está sempre no ar, como se o talento técnico fosse um detalhe secundário.
Isso é especialmente forte para as mulheres. Enquanto um diretor muitas vezes é ouvido por padrão, uma atriz precisa lutar para ser ouvida. Suas opiniões sobre o personagem ou uma cena podem ser minimizadas. O caminho é muito mais íngreme.
A sensação é de que seu valor está sempre em avaliação. Não basta entregar a performance. É preciso constantemente demonstrar conhecimento e autoridade. Isso consome uma energia que poderia ser direcionada apenas para a arte.
A virada de chave na direção
Sua estreia como diretora aconteceu com "A Cronologia da Água". O filme, baseado no livro de Lidia Yuknavitch, foi até Cannes. A experiência foi um choque positivo. Nas reuniões como diretora, as pessoas finalmente a tratavam como uma profissional com ideias.
Ela notou a diferença imediatamente. As conversas eram sobre visão criativa e decisões de narrativa. Havia uma suposição prévia de que ela sabia do que estava falando. O cérebro dela, antes questionado, agora era consultado.
O longa tem previsão de chegar ao Brasil. Essa transição de atriz para diretora não é sobre abandonar a atuação. É sobre buscar um espaço onde sua voz criativa seja integralmente reconhecida. Um espaço onde o respeito seja a regra, e não uma conquista diária.
Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.