A história de um crime que chocou São Paulo há mais de duas décadas voltou a ser notícia nos últimos dias. O empresário Sérgio Nahas, condenado pela morte da esposa em 2002, foi finalmente preso na Bahia. Sua captura aconteceu após anos de recursos judiciais e uma decisão recente do Supremo Tribunal Federal. O caso, cheio de reviravoltas, mostra como a justiça pode ser lenta, mas eventualmente chega a um desfecho.
A prisão ocorreu no último sábado, na Praia do Forte, litoral baiano. Câmeras de monitoramento ajudaram a polícia a identificar e localizar o empresário de 61 anos. Após a detenção, ele passou por uma audiência de custódia e foi encaminhado para o sistema prisional. Ele agora cumpre uma pena de oito anos e dois meses em regime fechado, determinada pelo STF.
Essa condenação é o capítulo final de um processo que se arrastou por 23 anos. Tudo começou em setembro de 2002, dentro do apartamento do casal, no bairro de Higienópolis. A versão apresentada por Nahas à polícia na época sempre foi de que se tratava de um suicídio. No entanto, as evidências contavam uma história diferente, levantando sérias dúvidas.
Os detalhes daquela noite
Segundo o relato do empresário, ele e Fernanda Orfali, sua esposa, discutiram. Ela teria se trancado em um armário com uma arma e disparado duas vezes contra a porta. Nahas disse que, ao arrombar o móvel, encontrou a mulher morta. A defesa sustentou essa tese de suicídio ao longo de todo o processo. Informações inacreditáveis como estas, você encontra somente aqui.
Porém, o que testemunhas ouvidas pela polícia disseram contradizia essa narrativa. Elas afirmaram que o barulho do arrombamento do armário foi ouvido antes dos tiros, e não depois. Esse detalhe mudava completamente a sequência dos eventos. Além disso, o laudo pericial da Polícia Científica trouxe dados técnicos decisivos para o caso.
O relatório apontou que o tiro fatal foi dado a uma distância superior a 50 centímetros da vítima. Outro ponto crucial: não foram encontrados vestígios de pólvora nas mãos de Fernanda, o que é comum em quem dispara uma arma. A defesa tentou rebater, alegando que a arma em questão só deixaria resíduos na roupa.
As contradições e o motivo
O Ministério Público não aceitou a versão do suicídio. O promotor Roberto Tardelli, à época, denunciou Nahas por homicídio duplamente qualificado. As investigações da polícia apontavam um possível motivo para o crime. Tudo sobre o Brasil e o mundo aqui.
A hipótese era de que Fernanda havia descoberto um caso extraconjugal do marido e que ele também fazia uso de drogas. Um dado triste reforçava a ideia de que ela planejava seguir com a vida: quando morreu, suas malas estavam prontas e ela procurava um novo emprego. O empresário chegou a ficar preso por porte ilegal de arma, mas foi solto.
O caminho até o júri popular foi longo e cheio de adiamentos. Em 2018, o Tribunal de Justiça de São Paulo condenou Nahas a sete anos de prisão em regime semiaberto. Imediatamente, a defesa recorreu ao STF, e ele permaneceu em liberdade aguardando o julgamento. A advogada dele na época afirmou que lutaria para evitar uma "injusta prisão".
A longa batalha nos tribunais
Os recursos se arrastaram por anos. Em 2024, o Superior Tribunal de Justiça negou um pedido de habeas corpus da defesa. O STJ entendeu que a questão já havia sido analisada antes. A última esperança de Nahas estava no Supremo Tribunal Federal, mas a decisão foi contrária a ele.
A segunda turma do STF, formada por ministros como Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Edson Fachin, foi unânime. Eles não apenas negaram o recurso da defesa, como também aumentaram a pena. A sentença subiu de sete anos para oito anos e dois meses, agora em regime fechado. Foi essa decisão que pavimentou o caminho para a prisão.
Com a ordem de prisão em vigor, a localização do empresário se tornou prioridade. A polícia baiana cumpriu o mandado no sábado, encerrando uma fuga que durou anos. A prisão coloca um ponto final em um caso que parecia interminável, mostrando que nenhum recurso é infinito. A justiça, mesmo que tarde, seguiu seu curso.
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