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Rioprevidência investiu R$ 150 mi em fundo do Master e só restaram R$ 17 mi

Os servidores públicos do Rio de Janeiro enfrentam uma situação delicada. Seu fundo de previdência, o Rioprevidência, registrou perdas milionárias em aplicações consideradas de alto risco. A maior parte desses investimentos foi direcionada a fundos ligados ao Banco Master.

Um caso específico chama a atenção pelo volume e pela velocidade do prejuízo. O fundo aplicou 150 milhões de reais em ações da Ambipar, uma empresa de gestão ambiental. O investimento foi feito por meio de um fundo do Master chamado Texas I.

Pouco tempo depois, a Ambipar entrou com pedido de recuperação judicial. O resultado foi uma desvalorização brutal. Em questão de meses, aqueles 150 milhões de reais se transformaram em meros 17 milhões. Só nessa operação, o prejuízo foi de 133 milhões.

A investigação de um possível esquema

Agora, a Comissão de Valores Mobiliários apura o que aconteceu. Os indícios levantam suspeitas de um conluio para manipular o mercado. O foco está no dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e no empresário Nelson Tanure.

A tese é que eles podem ter atuado em conjunto para inflar artificialmente o preço das ações da Ambipar. Com isso, a movimentação fez os papéis da empresa dispararam incríveis 800% em apenas três meses.

Nelson Tanure, que teve o celular apreendido pela polícia, usava ações da Ambipar como garantia em negócios. Uma valorização tão rápida e suspeita seria, portanto, muito vantajosa para ele. A Polícia Federal também investiga o caso.

Falhas graves nos controles internos

Como um fundo de previdência aplicou tanto dinheiro em uma operação tão arriscada? A resposta parece estar nos controles internos. Os aportes no Banco Master não passavam pela aprovação formal do comitê de investimentos.

Um ex-membro do comitê revelou que a maior parte das aplicações era feita de forma automática. Houve uma aprovação inicial para um investimento de 120 milhões de reais no final de 2023. Novos aportes, no entanto, foram realizados sem um aval específico.

A justificativa foi que a primeira autorização "deixou subentendido" a continuidade. Os recursos foram para letras financeiras, um tipo de empréstimo ao banco com promessa de alta rentabilidade. No total, o Rioprevidência colocou 1,2 bilhão de reais no Master.

A situação expõe a fragilidade na gestão do dinheiro dos servidores. Investimentos de grande porte demandam análise criteriosa e acompanhamento constante. A ausência desses cuidados abre portas para resultados desastrosos.

Enquanto as investigações seguem, os participantes do fundo aguardam explicações. O caso serve de alerta sobre a importância da transparência e da governança na aplicação de recursos públicos. A confiança é um patrimônio que se constrói com anos, mas pode se perder rapidamente.

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