A notícia da manhã desta segunda-feira trouxe um luto para o setor público e empresarial. Morreu, aos 77 anos, o ex-ministro e atual presidente do Instituto Brasileiro de Mineração, Raul Jungmann. Ele lutava contra um câncer de pâncreas há um longo período e faleceu em Brasília. Seu velório será restrito à família e amigos, conforme ele mesmo havia desejado.
Natural de Recife, Jungmann construiu uma trajetória política extensa e marcante. Sua vida pública atravessou mais de cinquenta anos, com participação em diferentes esferas do poder. Ele começou na base, como vereador, e chegou ao Congresso Nacional como deputado federal. Essa experiência lhe deu uma visão ampla dos desafios do país.
Sua expertise foi reconhecida em momentos-chave da política nacional. Nos governos de Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer, ele foi titular de quatro pastas ministeriais importantes. Comandou os ministérios da Política Fundiária, do Desenvolvimento Agrário, da Defesa e da Segurança Pública. Cada cargo exigiu habilidades distintas, mostrando sua versatilidade.
Uma nova missão na mineração
Em 2022, ele aceitou um novo e significativo desafio: a presidência do IBRAM. O setor mineral brasileiro passa por discussões globais sobre impacto ambiental e práticas sustentáveis. Jungmann entrou justamente para liderar essa transformação. Sua meta era aliar o desenvolvimento econômico do setor a um compromisso inegociável com a sustentabilidade.
Ele entendia que o futuro da mineração dependia de um novo contrato social. Isso significava diálogo constante com comunidades, órgãos ambientais e o mercado. Sua gestão buscou modernizar a imagem do setor, mostrando que é possível extrair riquezas com responsabilidade. Para ele, a mineração do século XXI precisava ser transparente e gerar benefícios reais para a sociedade.
Essa visão estratégica foi fundamental em um período decisivo. O setor enfrenta pressões por inovação e melhor governança. Sob seu comando, o IBRAM se fortaleceu como uma voz técnica e propositiva. O objetivo era equilibrar as demandas da economia com a proteção do meio ambiente, um dos dilemas mais complexos do nosso tempo.
O legado de um gestor público
Quem trabalhou com ele destaca a integridade e o foco no interesse público. A presidente do Conselho do IBRAM, Ana Sanches, o definiu como um homem de estatura singular. Para ela, Jungmann era um democrata convicto e um gestor com visão de futuro. Sua capacidade de construir pontes foi essencial para o instituto.
Sua história é a de um pernambucano que dedicou a vida às causas nacionais. Dos primeiros passos na política local aos ministérios em Brasília, ele sempre manteve um perfil de negociador. Jungmann acreditava no diálogo como a única ferramenta para avanços duradouros. Essa característica marcou sua passagem por todas as funções que exerceu.
O setor mineral perde uma liderança no momento em que mais precisa de visão estratégica. A população perde um servidor público com experiência rara em áreas sensíveis. Sua ausência deixa uma lacuna no debate sobre desenvolvimento e segurança. A memória que fica é a de um profissional que buscou, até o fim, servir ao país com seriedade.
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