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Morre Raul Jungmann, ex-ministro da Defesa e da Segurança Pública

A política brasileira perdeu uma de suas figuras mais atuantes e respeitadas. Raul Jungmann faleceu no domingo, em Brasília, aos 73 anos. Ele lutava contra um câncer no pâncreas havia alguns anos. Após um período hospitalizado, estava em casa sob cuidados paliativos, mas precisou retornar ao hospital, onde não resistiu.

Natural do Recife, Jungmann começou sua jornada política muito cedo, ainda na juventude. Sua militância inicial foi no Partido Comunista Brasileiro, então na clandestinidade. Anos mais tarde, ajudou a fundar o PPS, partido no qual permaneceu por grande parte de sua carreira, até 2018.

Sua trajetória foi longa e diversa, sempre marcada pelo debate sobre temas estruturantes para o país. Ele deixou contribuições profundas nas áreas de defesa, segurança pública e desenvolvimento agrário. Foram mais de quatro décadas dedicadas à vida pública, com passagem por cargos estaduais e federais de grande relevância.

Uma trajetória marcada por ministérios estratégicos

Raul Jungmann comandou três pastas ministeriais ao longo de sua vida pública. A primeira foi o Ministério da Reforma Agrária, no governo Fernando Henrique Cardoso. Anos depois, no governo Michel Temer, assumiu a Defesa e, posteriormente, tornou-se o primeiro titular do Ministério da Segurança Pública.

Além dos ministérios, ele também exerceu três mandatos como deputado federal. Sua experiência se estendia ainda à presidência de órgãos ambientais, como o Ibama. Desde 2022, liderava o Instituto Brasileiro de Mineração, onde trabalhava para fortalecer o setor.

Nessa posição, defendia a sustentabilidade e o papel estratégico dos minerais. Ele acreditava no diálogo e na ética como pilares para o desenvolvimento. Sua visão sempre buscou equilibrar progresso econômico com responsabilidade institucional.

O legado na segurança pública e suas defesas

À frente da Segurança Pública, Jungmann deixou uma marca permanente. Sua ação mais relevante foi a criação do Sistema Único de Segurança Pública. O SUSP busca integrar as polícias de todos os estados, melhorando a troca de informações e o combate ao crime.

O sistema também vinculou o repasse de verbas federais ao cumprimento de metas. Essa foi uma mudança significativa, pois ampliou a influência da União em uma área tradicionalmente estadual. Ele via a falta de integração como uma grande fragilidade nacional.

Em discursos recentes, ele era incisivo. Questionava como confrontar um crime organizado transnacional sem coordenação nacional. Para ele, a segurança pública brasileira carecia de uma estrutura sistêmica sólida, um debate que permanece urgente.

Visão soberana sobre recursos e instituições

Mesmo fora do governo, Jungmann seguia atento aos debates cruciais. Em uma de suas últimas entrevistas, falou sobre os minerais estratégicos do Brasil. Ele foi claro: a legislação não permite a exploração direta por outros países.

Qualquer negociação, segundo ele, deveria ser entre governos. Empresas privadas estrangeiras precisariam seguir as regras brasileiras. Ele analisava os impactos de tarifas internacionais com a precisão de quem conhecia os detalhes dos setores.

Também demonstrou firmeza ao defender as instituições. Assinou um manifesto de ex-ministros em solidariedade ao STF, quando magistrados sofreram sanções internacionais. Para ele, era fundamental proteger a independência do Judiciário de pressões externas. Sua voz, sempre fundamentada, fará falta.

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