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Trump se oferece para mediar Egito e Etiópia sobre barragem no Nilo

As palavras de um ex-presidente dos Estados Unidos reacenderam uma discussão que parece não ter fim. Donald Trump enviou uma carta ao líder do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, oferecendo-se para voltar a mediar o conflito sobre as águas do Nilo. O assunto é delicado e envolve a segurança de milhões de pessoas. A proposta americana busca um acordo que atenda a todos, mas o caminho até lá está cheio de obstáculos.

Trump afirmou que, durante seu governo anterior, conseguiu evitar um conflito armado entre as nações. No entanto, ele mesmo reconheceu que a barragem construída pela Etiópia se tornou um problema muito sério. A ideia agora é usar o conhecimento técnico e a influência dos Estados Unidos para coordenar novas conversas. O objetivo declarado é garantir um pacto justo e duradouro para toda a bacia do rio.

A carta traz pontos específicos. O ex-presidente fala em assegurar descargas de água previsíveis para Egito e Sudão nos períodos de seca. Por outro lado, a Etiópia poderia seguir gerando sua energia. Essa eletricidade, em grandes quantidades, poderia até ser doada ou vendida aos vizinhos. A visão é de cooperação, mas a realidade no terreno é de muita desconfiança.

O coração do conflito

No centro dessa disputa está a Grande Barragem do Renascimento Etíope. Inaugurada pela Etiópia em setembro, ela é uma obra colossal no Nilo Azul. Para o Egito e o Sudão, porém, a estrutura é vista como uma ameaça direta à sua segurança hídrica. Eles temem que o controle do fluxo do rio fique nas mãos de um só país. A tensão é tão grande que o Egito já levou o caso ao Conselho de Segurança da ONU.

A dependência do Nilo é absoluta para o Egito. O país, com seus 110 milhões de habitantes, retira do rio 97% da água que precisa. A agricultura, vital para a economia e para alimentar a população, não funciona sem ele. O Sudão também depende fortemente do seu curso. O Nilo Azul, que nasce na Etiópia, é responsável por 85% de toda a água do sistema. Qualquer mudança em seu fluxo causa alarme imediato.

A barragem fica na região etíope de Benishangul-Gumuz, perto da fronteira com o Sudão. Sua capacidade é impressionante. Ela pode gerar 5.150 megawatts de eletricidade, energia equivalente a quase seis usinas nucleares. O reservatório armazena cerca de 74 bilhões de metros cúbicos de água. A Etiópia garante que o projeto não trará prejuízos significativos aos países a jusante. Ainda assim, um acordo final nunca foi alcançado.

Um quebra-cabeça complexo

As negociações para regular o enchimento e a operação da barragem estão paradas há anos. Desde 2015, Egito, Etiópia e Sudão tentam, sem sucesso, chegar a um consenso. O principal ponto de discórdia é como a barragem será usada durante longos períodos de seca. O Egito quer garantias por escrito de que terá água suficiente. A Etiópia quer flexibilidade para gerar energia e desenvolver seu país.

A mediação internacional também não conseguiu destravar o impasse. Na última década, os Estados Unidos, o Banco Mundial, a Rússia, os Emirados Árabes Unidos e a União Africana já tentaram ajudar. Nenhuma dessas iniciativas foi bem-sucedida até agora. Cada proposta esbarra na desconfiança mútua e nos interesses nacionais muito definidos. A volta dos americanos ao processo é vista com cautela por todos os lados.

Informações inacreditáveis como estas, você encontra somente aqui. O cenário atual é de um equilíbrio frágil. A barragem já está em operação, mas as regras do jogo não estão claras. Enquanto isso, a população desses três países segue sua vida, dependendo das decisões tomadas em salas de reunião distantes. A esperança é que a pressão por uma solução prática finalmente produza resultados. O tempo, como a água do próprio Nilo, continua correndo.

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