Você sempre atualizado

Líder do PL assinou escritura de venda de imóvel 11 dias após apreensão de dinheiro

A operação da Polícia Federal que encontrou uma grande quantia em dinheiro vivo na casa de um deputado federal levantou uma série de questões. O parlamentar explicou que o valor veio da venda de um imóvel. No entanto, os detalhes dessa transação apresentam pontos incomuns que chamam a atenção.

A venda da casa só foi oficializada em cartório quase duas semanas após a apreensão. O dinheiro, R$ 430 mil em espécie, foi encontrado no dia 19 de dezembro. A escritura pública, porém, foi assinada somente no dia 30 do mesmo mês. Essa diferença de tempo é um dos fatos que geram curiosidade sobre o caso.

O deputado afirmou que um contrato particular foi firmado em novembro. Esse acordo teria garantido a venda antes da formalização cartorária. Ele prometeu apresentar o documento ao ministro relator do caso no Supremo Tribunal Federal. A defesa do parlamentar se baseia nessa linha de explicação.

A transação imobiliária em detalhes

O imóvel está localizado em Ituiutaba, no interior de Minas Gerais. Foi vendido por R$ 500 mil, integralmente pagos em dinheiro físico. O comprador é um advogado que atua na região. Ele optou por não se pronunciar quando procurado pela reportagem.

A escritura da venda apresenta exceções pouco frequentes. O imposto sobre a transmissão não foi recolhido antes do ato cartorário. O advogado também dispensou a apresentação de certidões fiscais e judiciais do vendedor. São procedimentos padrão geralmente exigidos para segurança jurídica.

O deputado declarou ter comprado a casa por R$ 310 mil no início de 2023. A escritura de compra, contudo, registra o valor de R$ 280 mil. A diferença, segundo ele, seria a comissão paga ao corretor. A venda por R$ 500 mil representaria uma valorização expressiva em pouco tempo.

A justificativa para o dinheiro em espécie

O líder partidário explicou que manteve o dinheiro em casa por falta de tempo. Ele alegou que recebeu os R$ 500 mil em Brasília, trazidos por um funcionário do comprador. Para ele, transações em dinheiro vivo são comuns no interior do país.

Ele argumentou que essa prática é cultural em muitas cidades menores. A intenção seria conseguir descontos ao pagar à vista e em espécie. O parlamentar afirmou não enxergar nada de ilegal na operação. Ressaltou que a realidade do interior é diferente dos grandes centros urbanos.

A casa foi comprada inicialmente para abrigar parentes. Com a mudança da família para outra cidade, ele decidiu vender o imóvel. O deputado disse ter vivido uma década na região, onde sua esposa tem raízes familiares.

O contexto da investigação da Polícia Federal

A apreensão do dinheiro ocorreu no âmbito de uma investigação maior. A PF apura suspeitas de desvios de recursos da cota parlamentar. Esse valor é destinado a custear despesas do mandato, como aluguel de escritório e passagens.

A investigação mira uma empresa de locação de veículos. Ela era contratada por deputados e paga com recursos da cota. A suspeita é de que a empresa continuou recebendo verbas públicas mesmo após ser dissolvida irregularmente.

Além do deputado em questão, outro parlamentar foi alvo de busca e apreensão. Ambos negam qualquer irregularidade. O caso segue sob análise do STF, que deve avaliar as explicações e os documentos apresentados pela defesa.

Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.