A economia brasileira deu um pequeno, mas importante, sinal de fôlego em novembro. Depois de três meses seguidos em queda, o principal termômetro da atividade econômica do Banco Central finalmente voltou a subir. Esse movimento, ainda que leve, interrompe uma sequência de recuos e acende uma luz no fim do túnel para o segundo semestre de 2025.
O Índice de Atividade Econômica, o IBC-Br, avançou 0,7% em novembro na comparação com outubro. A última vez que tínhamos visto um número positivo assim foi em agosto. Na prática, esse indicador funciona como uma prévia do PIB, aquele dado oficial que mede toda a riqueza produzida no país.
Apesar da boa notícia mensal, o ritmo de crescimento anual segue mais moderado. Em relação a novembro do ano passado, a alta foi de 1,2%. Olhando os últimos doze meses, a economia expande 2,4%. O cenário mostra resiliência, mas também reflete o peso dos juros altos, que seguem freando parte do consumo e dos investimentos.
O que impulsionou a retomada em novembro
Dois setores foram os grandes responsáveis por puxar o índice para cima. A indústria registrou um crescimento de 0,8%, e o setor de serviços avançou 0,6%. São justamente essas áreas que empregam milhões de brasileiros e movimentam a maior parte da atividade nas cidades. Quando elas vão bem, o efeito é sentido na rua.
Por outro lado, a agropecuária teve um desempenho oposto, com uma pequena retração de 0,3% no período. É um setor que costuma ser volátil e sofre diretamente com fatores climáticos e oscilações de preços no mercado internacional. Sua performance acabou segurando um resultado ainda mais robusto.
Outro fator que ajudou no número final foi a arrecadação de impostos sobre produtos industriais e comerciais. Esse dado é um reflexo direto das vendas e da movimentação de mercadorias. Quando a arrecadação sobe, é sinal de que as prateleiras e os estoques estão girando com um pouco mais de velocidade.
O cenário de desaceleração esperada
A verdade é que essa desaceleração do crescimento já era esperada por economistas e pelo próprio Banco Central. Com a taxa Selic fixada em 15% ao ano, o crédito fica caro e desestimula grandes compras a prazo e investimentos das empresas. O custo do dinheiro alto é um remédio amargo para controlar a inflação.
Por isso, as projeções para o crescimento do PIB em 2025 já foram revisadas para baixo. O mercado financeiro estima uma expansão de 2,26% neste ano, um ritmo bem mais tranquilo se comparado aos 3,4% registrados em 2024. É uma desaceleração proposital, parte do receituário para equilibrar a economia.
O BC defende que esse passo mais lento é necessário. A ideia é que, com a economia operando num ritmo sustentável, mas sem superaquecer, a inflação consiga convergir de vez para a meta de 3%. É um jogo de paciência, que prioriza a estabilidade de preços no longo prazo.
Entendendo a diferença entre o IBC-Br e o PIB
É comum tratarmos o IBC-Br como uma "prévia do PIB", mas os dois indicadores não são idênticos. O cálculo do Banco Central é mais enxuto e rápido, usando principalmente estimativas de produção setorial e dados de arrecadação. Ele serve como um bom termômetro, um sinalizador de tendência.
Já o PIB oficial, calculado pelo IBGE, é uma fotografia completa e detalhada. Ele leva em conta não apenas a oferta, mas toda a demanda da economia: o que as famílias consomem, o que o governo gasta, os investimentos das empresas e até as exportações. É um retrato mais amplo e complexo.
Essa prévia do BC, no entanto, tem um peso enorme. Ela é uma das ferramentas que os formuladores de política econômica observam para tomar decisões. Um crescimento muito forte no IBC-Br pode sinalizar pressão inflacionária, influenciando a manutenção ou não dos juros altos. É um dado que antecipa movimentos.
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