Os três homens presos nesta manhã pela morte do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes têm um passado que se cruza com o da vítima de forma dramática. Eles são assaltantes de banco que foram detidos por ele em 2005. O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Nico Gonçalves, confirmou o fato em entrevista coletiva. As prisões ocorreram nas cidades de Santos e Jundiaí.
A polícia ainda não descartou outras linhas de investigação. No entanto, a principal hipótese é de que o crime seja uma resposta direta pela atuação profissional do ex-delegado. Gonçalves expressou cerca de noventa por cento de certeza sobre essa motivação. O trio preso tem ligação com a facção Primeiro Comando da Capital.
“Todos eles tiveram contato direto com o Ruy, que os prendeu. E ficou essa mágoa”, afirmou o secretário. A polícia também avalia se a execução pode estar relacionada ao trabalho recente de Fontes na prefeitura de Praia Grande. Ele atuava como secretário de administração no município do litoral paulista.
O crime que chocou o litoral
Ruy Ferraz Fontes foi morto no dia 15 de setembro, na cidade onde trabalhava. Tudo aconteceu quando ele saiu com seu carro do prédio da prefeitura. Imediatamente, foi perseguido pelas ruas por outro veículo com homens fortemente armados. Em alta velocidade, o ex-delegado acabou batendo em um ônibus.
Na sequência do choque, ele foi executado a tiros de fuzil. Toda a ação violenta foi registrada por câmeras de vigilância da região. Ruy Ferraz tinha uma longa trajetória de mais de quarenta anos como delegado. Ele foi responsável pela prisão de várias lideranças do PCC nos anos 2000.
Essa história de confronto com o crime organizado agora é peça central para entender o que aconteceu. O monitoramento do ex-delegado pelos criminosos começou em junho do ano passado. O planejamento para o ataque, no entanto, foi feito em março de 2025.
Quem são os presos
Os três homens detidos respondem por Fernando Alberto Ribeiro Teixeira, o Azul ou Careca; Márcio Serapião de Oliveira, conhecido como Velhote; e Manuel Alberto Ribeiro Teixeira, o Manezinho. Segundo as investigações, eles atuaram no planejamento, organização e logística do assassinato. Todos têm passagens pela polícia e histórico como ladrões de banco.
Eles também já se envolveram com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Fernando Alberto, o Azul, é apontado como líder do PCC na Baixada Santista. Ele teria comandado diretamente as ações para a morte do ex-delegado. A polícia agora busca descobrir se existe um mandante acima dele na hierarquia do crime.
“A investigação tem que ser muito responsável quando apontar um nome neste sentido”, disse o diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais. Ele explicou que é preciso seguir as provas técnicas e que falta uma “pecinha” final. O objetivo é identificar quem colocou todo o mecanismo em funcionamento.
Os desdobramentos da investigação
Na operação desta terça-feira, os policiais apreenderam itens importantes como celulares, computadores e cadernos. Esses materiais devem ajudar nas próximas etapas do trabalho investigativo. Até agora, duas grandes operações foram realizadas no caso.
No total, treze pessoas já foram presas. Cinco delas receberam a medida cautelar de tornozeleira eletrônica. A polícia ainda busca por dois foragidos diretamente ligados ao ocorrido. O caso segue em aberto, com esforços para esclarecer todos os detalhes.
A sensação de que uma página violenta da história pessoal do ex-delegado foi revisitada com trágicas consequências paira sobre as investigações. As peças do quebra-cabeça começam a se encaixar, mostrando um rastro de vingança que atravessou anos. A justiça tenta agora responder a essa última e brutal questão.
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