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Vereadora acusa Prefeitura de SP reduzir investimentos no combate à enchentes

Imagine uma cidade que para a cada chuva forte. Ruas viram rios, casas são invadidas pela água e o caos se instala. Em São Paulo, essa cena é tristemente comum para muitos moradores. Diante desse problema recorrente, uma pergunta surge: os recursos para evitar esses desastres estão sendo usados da forma correta?

Uma representação no Tribunal de Contas do Município está justamente pedindo uma auditoria sobre os gastos com drenagem e combate a enchentes. O documento questiona se o planejamento está, de fato, conectado com a ação prática. A ideia é investigar se o dinheiro público destinado a proteger a população está atingindo seu objetivo real.

O foco recai sobre a execução do orçamento do ano passado e a previsão para o próximo. Os números mostram uma situação que merece atenção. A discussão vai além dos centavos, tocando na segurança e no bem-estar de milhões de pessoas que vivem na maior metrópole do país.

Os números que preocupam

Em 2025, a Prefeitura de São Paulo teve autorizados cerca de 822 milhões de reais para ações contra enchentes. No entanto, quando o ano fiscal se encerrou, pouco mais de 60% desse total, ou 504 milhões, tinham sido de fato liquidados. Essa subexecução é apontada como grave, especialmente em um período marcado por temporais intensos e alagamentos frequentes em várias regiões.

O olhar para a trajetória dos recursos também levanta questões. De 2023 para 2025, o orçamento para a área mais que dobrou, saindo de 314 milhões e ultrapassando a marca de 800 milhões. Essa escalada, porém, parece sofrer um revés. Para 2026, a proposta prevê uma redução, caindo para aproximadamente 662 milhões de reais.

A redução ocorre em um momento delicado, com a intensificação de eventos climáticos extremos. A combinação de menos dinheiro previsto com a não utilização total dos recursos do ano anterior pode limitar a capacidade da cidade de agir. Ações preventivas e obras estruturais ficam em risco nesse cenário.

A resposta da prefeitura e a realidade nas ruas

A justificativa da gestão municipal segue duas linhas. Primeiro, argumenta-se que a execução de 2025 ainda não estaria totalmente fechada, com despesas do último mês pendentes de contabilização. Segundo, a redução para 2026 estaria ligada a ganhos de eficiência em serviços de manutenção, como a limpeza de bueiros.

A representação contesta esse ponto de vista com dados do dia a dia da cidade. Somente em 2025, o sistema municipal de atendimento recebeu mais de 26 mil solicitações para limpeza de bueiros e bocas de lobo. São mais de 70 pedidos por dia, em média, um número que ainda cresceu em relação ao ano anterior.

Essa alta demanda por serviços básicos enfraquece a tese de que o problema estaria sendo reduzido de forma estrutural. Na prática, a população continua sentindo os efeitos da drenagem insuficiente. A necessidade parece clara e constante, não condizente com um enxugamento no orçamento.

Os impactos reais nas pessoas

Para além das planilhas, os efeitos são concretos e dramáticos. Regiões como o Jardim Pantanal, na zona leste, chegaram a ficar alagadas por semanas. Milhares de famílias foram afetadas, situação tão grave que motivou a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito na Câmara Municipal.

Casos semelhantes ocorreram em áreas centrais e da zona norte, com vias completamente intransitáveis, rios transbordando e a necessidade de resgates por equipes de emergência. Esses episódios mostram que a drenagem urbana é, de fato, um serviço público essencial.

A recorrência das enchentes expõe a população a riscos à saúde e à integridade física, além de causar prejuízos materiais e sociais enormes. A discussão orçamentária, portanto, não é apenas técnica. Ela está diretamente ligada à qualidade de vida e à segurança do cidadão.

O papel do Plano Diretor e o pedido de auditoria

Toda essa política deveria ser guiada pelo Plano Diretor de Drenagem, um instrumento técnico que define as ações de macro e microdrenagem na cidade. A execução parcial do orçamento e a redução de recursos, no entanto, colocam em risco a implementação desse plano.

Fragilidades na coordenação entre ações emergenciais e obras estruturais podem estar surgindo. É por isso que a representação pede ao Tribunal de Contas uma auditoria operacional. O objetivo é verificar não só a legalidade dos gastos, mas principalmente a efetividade da política pública.

A auditoria solicitada deve analisar detalhadamente a execução do Plano Diretor, fiscalizar contratos de limpeza e manutenção e comparar valores. Se forem encontradas falhas, o tribunal pode determinar medidas corretivas. O caso aguarda análise, mas seu resultado pode iluminar um desafio crucial não só para São Paulo, mas para grandes cidades em todo o Brasil.

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