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Casares explica saques de R$ 11 milhões das contas do São Paulo como gastos operacionais

O clima no Morumbi está pesado. Na próxima sexta-feira, os conselheiros do São Paulo vão votar um pedido de impeachment contra o presidente Julio Casares. A decisão acontece em meio a uma crise profunda, que mistura pressão por resultados esportivos com questionamentos graves sobre a gestão financeira do clube.

Casares enviou um documento extenso ao Conselho Deliberativo para se defender. Nele, ele aborda um dos pontos mais sensíveis: saques em dinheiro vivo que totalizam R$ 11 milhões entre 2021 e 2025. Valores desse tamanho, movimentados fisicamente, naturalmente levantam dúvidas e precisam de uma explicação muito clara para a torcida e para os conselheiros.

A defesa do presidente argumenta que todo o valor foi utilizado para despesas legítimas e operacionais do clube. Ele nega qualquer uso pessoal do dinheiro. O documento detalha os destinos desse montante, tentando mostrar que as retiradas seguiam práticas comuns no futebol.

De onde saíram os R$ 11 milhões?

A maior parte do valor, cerca de R$ 8,2 milhões, foi classificada como despesas operacionais dos jogos. O clube alega que esse dinheiro serviu para pagar serviços de arbitragem, que muitas vezes exigem pagamento em espécie. É um costume antigo no futebol brasileiro, embora a transparência sobre esses valores sempre gere debate.

Outra parte significativa, aproximadamente R$ 5 milhões, teria ido para as tradicionais premiações aos jogadores, os chamados “bichos”. Essa prática de bonificação por vitórias ou conquistas é herdada de gestões passadas, como a do falecido presidente Juvenal Juvêncio, e é comum em vários clubes do país. A questão, no caso, não é o costume em si, mas o volume e a forma de saque.

O documento insiste que todas as movimentações estavam dentro da legalidade e são passíveis de auditoria. A ideia é mostrar que há um registro e uma justificativa para cada centavo, afastando suspeitas de desvio. O desafio de Casares é convencer os conselheiros de que os procedimentos, mesmo envolvendo tanto dinheiro vivo, foram regulares.

O que está em jogo na votação?

O processo de impeachment não avalia apenas um fato isolado. Ele reflete um acúmulo de insatisfações. A situação esportiva irregular, com o time fora das competições internacionais, e a saúde financeira do clube formam o pano de fundo dessa crise. As explicações sobre os saques se tornaram o estopim de um descontentamento maior.

A votação de sexta-feira é, portanto, um momento decisivo. Os conselheiros precisarão pesar as justificativas apresentadas contra o sentimento geral de gestão. Eles vão decidir se as explicações para os R$ 11 milhões são suficientes e críveis, ou se fazem parte de um problema mais amplo que exige uma mudança no comando.

Independente do resultado, o episódio deixa uma lição clara sobre a demanda por transparência. Torcedores e associados estão cada vez mais atentos aos detalhes da administração. Práticas antigas, mesmo que comuns, hoje são escrutinadas sob uma lupa muito mais potente. O futebol moderno exige gestão profissional em todos os sentidos, algo que vai muito além das quatro linhas do campo.

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