A União Europeia e o Mercosul estão prestes a dar um passo gigantesco. No próximo dia 17, eles formalizam o maior acordo comercial entre blocos do planeta. É um marco histórico, mas ainda não é a hora de comemorar com champanhe. A assinatura é só o início de um caminho que pode ser longo até vermos os efeitos práticos no nosso dia a dia.
Isso porque, depois da cerimônia, o texto precisa passar pelo crivo dos parlamentos de cada país membro. O processo é complexo e não tem prazo certo para terminar. A boa notícia é que não é preciso esperar por todos. Basta que o Congresso Nacional brasileiro aprove para que o acordo já comece a valer por aqui, independentemente dos outros parceiros.
O governo federal está otimista e pressiona por uma votação ainda no primeiro semestre deste ano. A ideia é acelerar os benefícios sem depender da Argentina, do Uruguai e do Paraguai. Se der certo, as novas regras poderão vigorar no Brasil antes mesmo do recesso parlamentar.
O que está em jogo com este acordo
A União Europeia é nosso segundo maior parceiro comercial, ficando atrás apenas da China. Só em 2025, a troca de produtos movimentou impressionantes 100 bilhões de dólares. O acordo pretende aumentar esse fluxo, criando novas oportunidades para empresas de ambos os lados do Atlântico.
Num mundo com tantas tensões e guerras comerciais, esse pacto é um sinal forte em defesa da cooperação entre nações. Ele mostra que ainda é possível construir relações baseadas em regras claras e abertura, em vez de isolamento. É um voto de confiança no multilateralismo em um momento crucial.
Para o Brasil, os benefícios são concretos. Setores importantes, como o agronegócio e a indústria, têm grande interesse em exportar mais para os países europeus. A força política desses grupos dentro do Congresso pode ser um fator decisivo para agilizar a aprovação, mesmo com um histórico de lentidão em votações de tratados internacionais.
Os prazos e os impactos reais na economia
Mesmo com otimismo, especialistas pedem cautela com o calendário. O processo de ratificação no Congresso pode levar de dois a três anos em um cenário considerado positivo. E os efeitos mais palpáveis sobre a nossa balança comercial devem levar cerca de quatro anos para aparecer, mesmo com uma aprovação rápida.
A assinatura em si, porém, já é um evento histórico depois de mais de vinte anos de negociação. Ela sinaliza para o mercado que o caminho está aberto. Empresas de ambos os lados podem começar a planejar seus negócios com mais segurança, pensando em onde produzir e para onde exportar.
Isso significa readequar cadeias de valor inteiras. Uma fábrica pode decidir que vale a pena expandir sua produção no Brasil para suprir o mercado europeu. Ou uma empresa daqui pode encontrar fornecedores na Europa com custos mais interessantes. As possibilidades são vastas e promissoras.
Quem ganha e como funcionam as regras
O acordo promete um aumento de receita de cerca de 7 bilhões de dólares para as exportações brasileiras. A redução de tarifas será imediata para itens estratégicos, como motores, geradores de energia, autopeças e até aviões. Setores como couro, pedras ornamentais e produtos químicos também saem na frente.
Para produtos do agronegócio, como carne bovina, frango e etanol, as tarifas cairão de forma gradual. O imposto deve chegar a zero em um prazo de até uma década. A Europa, no entanto, incluiu cláusulas de salvaguarda para monitorar as importações e proteger seus produtores rurais de eventuais impactos bruscos.
O mercado que se abre é colossal. Juntos, Mercosul e União Europeia representam uma população de mais de 700 milhões de pessoas e um PIB combinado próximo de 22 trilhões de dólares. É uma economia que só perde para a dos Estados Unidos e supera a da China. Um espaço enorme para o Brasil crescer.
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