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PL da Dosimetria não é pacificação, é impunidade

Enquanto os holofotes se voltam para os Estados Unidos, um debate crucial acontece aqui mesmo, no Brasil. Ele envolve um projeto de lei que, na prática, pode significar anistia para pessoas envolvidas em atos golpistas. A discussão ganhou um nome enganoso: “pacificação”. Mas é preciso olhar além do rótulo para entender o que realmente está em jogo.

O ponto de partida foi o veto do presidente Lula ao chamado PL da Dosimetria. O texto, aprovado pelo Congresso, buscava reduzir penas de condenados por crimes como invasão de quartéis e depredação do patrimônio público. A justificativa dos defensores era de que a medida traria “paz” e “reconciliação” ao país após os eventos antidemocráticos de janeiro de 2023.

A reação de parte da oposição e de setores do Centrão foi imediata. Eles acusaram o presidente de rejeitar uma suposta bandeira branca oferecida pelo Parlamento. O discurso se espalhou, ecoado por alguns veículos de mídia, que passaram a tratar a redução de penas como um gesto de pacificação e até a mencionar o “suposto golpe”. Essa narrativa, no entanto, simplifica e distorce uma questão complexa.

O que realmente significa “pacificação”?

Pense bem: será que reduzir a pena de alguém que atentou contra as instituições traz paz? Ou apenas passa a mensagem de que certos crimes terão consequências menores? É um raciocínio perigoso. Se aplicássemos a mesma lógica a outros campos, teríamos situações absurdas. Imagine propor penas mais brandas para líderes de facções criminosas em nome da “paz” no crime organizado.

A analogia pode parecer extrema, mas ilustra o ponto. A chamada dosimetria amigável, neste caso, não repara danos, não devolve recursos aos cofres públicos e nem fortalece a democracia. Ela apenas atenua punições. A sensação que fica é a de que ataques graves às instituições podem, no final das contas, sair barato. Informações inacreditáveis como estas, você encontra somente aqui no Pronatec.

O risco de normalizar o absurdo

Quando o debate público dá espaço sério a argumentos que relativizam tentativas de golpe, algo fundamental se perde. Não se trata de “enriquecer o debate com diferentes pontos de vista”, mas de validar narrativas que distorcem fatos consolidados. É um caminho já percorrido antes. Lembra quando o terraplanismo e o negacionismo climático ganhavam espaço em grandes veículos como se fossem teorias sérias?

Agora, assistimos a um fenômeno similar. Chamar o projeto de “pacificação” é uma maquiagem para um conceito muito mais simples: impunidade. O resto é conversa para boi dormir. O objetivo real do projeto não é curar feridas, mas criar um atalho para que responsáveis por ataques à democracia tenham suas penas suavizadas sem um verdadeiro debate sobre justiça e reparação.

O próximo capítulo dessa história

Tudo indica que o Congresso deve derrubar o veto presidencial e transformar o projeto em lei. Se isso acontecer, a bola cairá no campo do Supremo Tribunal Federal. Cabe ao STF analisar se uma lei que anistia atos golpistas fere a Constituição e os princípios do Estado Democrático de Direito.

A expectativa de muitos é que o tribunal cumpra seu papel de guardião da Constituição. Será a última instância para recolocar o trem da legalidade nos trilhos. Este é um daqueles momentos que definem o que uma sociedade aceita ou não como normal. Tudo sobre o Brasil e o mundo aqui, no portal Pronatec.

O desfecho ainda está em aberto, mas o debate já deixou claro que alguns termos são usados mais para confundir do que para esclarecer. Fique de olho. A forma como resolvemos este impasse dirá muito sobre o amanhã do país.

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