Se você, como eu, é daqueles que adora uma boa história – seja na tela ou nas páginas de um livro –, sabe como é difícil escolher o que ver ou ler a seguir. A oferta é enorme, e o tempo, curto. Pensando nisso, reuni algumas sugestões que me marcaram recentemente. São indicações de séries e livros que valem cada minuto da sua atenção.
Vamos começar pelas produções que conquistaram as telas. A primeira dica é O Urso, disponível no Disney+. A terceira temporada, lançada este ano, é considerada a melhor até agora. A série acompanha Carmy, um chef que deixa um restaurante estrelado em Nova York para assumir a lanchonete da família em Chicago.
O grande trunfo da narrativa não é apenas a transformação do negócio em um restaurante fino, mas a exploração profunda dos relacionamentos familiares. Cada personagem carrega histórias e traumas complexos. A busca por uma estrela Michelin serve como pano de fundo para dramas humanos universais.
Assistir a essa série exige um certo foco, mas a recompensa é grande. Você se pega refletindo sobre suas próprias relações enquanto acompanha a jornada intensa e realista dos personagens. É daquelas produções que ficam na mente muito depois que os créditos sobem.
A segunda sugestão é a série nacional Os Donos do Jogo, da Netflix. Inspirada na história real do jogo do bicho no Rio de Janeiro, a produção mergulha no universo dos bicheiros sem romantizar a violência. A trama é crua, mas equilibrada, sem exageros gratuitos.
O elenco forte e a autenticidade dos diálogos são pontos altos incontestáveis. A linguagem e os cenários transportam o espectador para a realidade desse mundo. A série já foi renovada para uma segunda temporada, prevista para 2026.
É um mergulho fascinante em um pedaço da história criminal brasileira. A trama prende do início ao fim, com uma narrativa ágil e personagens muito bem construídos. Diversão de qualidade com um sabor genuinamente local.
Para quem curte um drama jornalístico, The Morning Show, da Apple TV, segue mais do que recomendada. A quarta temporada, lançada em 2025, continua a acompanhar os bastidores de um famoso programa matinal americano.
A série aborda, com inteligência, temas urgentes como desinformação, assédio e a polarização política. Mostra como as grandes corporações de tecnologia e finanças podem influenciar o noticiário. A atuação do elenco principal continua impecável.
É uma ficção que funciona como um espelho perturbador da nossa realidade. Assistir provoca uma reflexão constante sobre o papel da mídia e os valores da sociedade contemporânea. A produção mantém o nível alto desde a sua estreia.
Passando para as páginas, a primeira recomendação literária é Trincheira Tropical, de Ruy Castro. O livro examina o Brasil na era Vargas, traçando um paralelo inteligente com a ascensão do fascismo na Europa. O autor descreve com maestria os bastidores políticos da época.
Castro mostra como Getúlio manobrou entre integralistas e comunistas para se manter no poder. A narrativa também detalha a virada do país para o lado dos Aliados na Segunda Guerra. É história contada com o ritmo e a profundidade de um romance.
A obra é um resgate fundamental de um período decisivo. A escrita fluida e a pesquisa rigorosa transformam eventos complexos em uma leitura cativante. Mais uma prova do talento de um dos maiores biógrafos brasileiros.
O romance Velar por Ela, de Jean-Baptiste Andrea, vencedor do Prêmio Goncourt, é a segunda sugestão. A história se passa na Itália do entreguerras e gira em torno de um misterioso objeto guardado em um seminário.
O livro constrói um romance proibido entre jovens de classes sociais distintas, com a religiosidade e a sociedade da época como pano de fundo. A narrativa é sofisticada e emocional, sem ser melodramática. A ambientação histórica é impecável.
É uma leitura que vai além do simples drama. Fala sobre fé, destino e as convenções que aprisionam as pessoas. A tradução consegue manter a beleza e a densidade do texto original, proporcionando uma experiência literária rica.
Por fim, a indicação é Ioga, de Emmanuel Carrère. Não se engane pelo título; esta não é uma obra sobre posturas ou exercícios. É um relato autobiográfico profundo sobre uma crise pessoal e a busca por equilíbrio.
O autor narra seu mergulho em práticas de meditação e seu distanciamento da escrita. O ponto de virada acontece com um evento trágico externo, que abala sua vida por completo. A jornada de autoconhecimento que se segue é o cerne do livro.
Carrère escreve com uma honestidade brutal sobre seus demônios e sua recuperação. É um testemunho poderoso sobre vulnerabilidade e resiliência. A leitura é intensa e oferece insights valiosos para qualquer um, independente de conhecer ou não o universo da ioga.
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