Mais de mil protestos estão marcados para este fim de semana em todo os Estados Unidos. A onda de manifestações é uma resposta direta a uma série de ações violentas envolvendo agentes de imigração. A tensão vem crescendo nas comunidades onde essas operações federais se intensificaram.
Três pessoas foram baleadas por agentes do ICE em incidentes separados nesta semana. Uma delas, a norte-americana Renee Nicole Good, morreu durante uma operação em Minneapolis. Vídeos do confronto, gravados por vizinhos, viralizaram rapidamente, alimentando a indignação pública.
Na noite daquela morte, uma grande vigília tomou conta do local. O prefeito da cidade foi direto ao ponto, pedindo que o ICE deixasse Minneapolis. A revolta não ficou restrita a uma região, com pessoas saindo às ruas de Nova York a Oakland.
Em Portland, no Oregon, o clima se repetiu poucos dias depois. Dois imigrantes venezuelanos foram baleados por agentes do ICE em frente a um hospital. Esse novo episódio só fez ampliar os protestos pelo país, que também registraram mais detenções de manifestantes.
O movimento por trás da mobilização se chama “Ice Out For Good”. A ideia é usar este fim de semana para unir vozes de todos os cantos do país. O foco não está apenas nas mortes recentes, mas em todo um histórico de abusos que a comunidade imigrante denuncia.
A organização argumenta que a presença do ICE tem causado medo e separado famílias indiscriminadamente. Eles enxergam os tiroteios como a parte mais visível de um problema muito maior. Por isso, a convocatória é ampla e pretende atingir todas as regiões.
A logística dos atos está centralizada em um rastreador online, atualizado constantemente. A ferramenta mostra vigílias, marchas e protestos programados do Havaí ao Maine. Vários grupos conhecidos estão na coordenação, dando corpo a uma rede nacional de resistência.
Além do “Indivisible”, outras entidades de peso participam da articulação. A União Americana pelas Liberdades Civis e a Rede Nacional de Organização de Trabalhadores Diaristas são algumas delas. Juntas, elas buscam dar visibilidade e estrutura para que as pessoas possam se manifestar com segurança.
O resultado deve ser um fim de semana com o país praticamente coberto por atos públicos. A estratégia é mostrar que a insatisfação é nacional, não um evento isolado em uma ou duas cidades. O objetivo é manter a pressão por mudanças nas políticas de imigração.
Enquanto isso, a resposta política também começa a aparecer. Alguns legisladores democratas já ameaçaram cortar verbas do Departamento de Segurança Interna. A discussão promete esquentar ainda mais nos corredores do Congresso americano nas próximas semanas.
O cenário atual mostra uma sociedade profundamente dividida sobre o tema. De um lado, a aplicação rigorosa da lei de imigração. De outro, a defesa dos direitos humanos e o questionamento dos métodos utilizados. O fim de semana promete colocar essa divisão em evidência nas ruos.
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