Os gastos do governo de Santa Catarina com publicidade e propaganda atingiram um patamar histórico em 2025. Os números, disponíveis para qualquer cidadão consultar no portal da transparência, mostram uma mudança significativa na aplicação dos recursos públicos. A quantia direcionada para moldar a imagem da gestão estadual chama a atenção pelo volume e pela velocidade do crescimento.
Em apenas dois anos, os investimentos nessa área deram um salto impressionante de 136%. Comparado ao valor desembolsado em 2023, primeiro ano do mandato, a diferença é enorme. Esse movimento transformou a comunicação em uma das prioridades financeiras do governo, com cifras que rivalizam com setores essenciais.
Para se ter uma ideia prática, o montante aplicado em 2025 se aproxima muito do que foi gasto em políticas de assistência social, trabalho e habitação durante todo o ano. É um volume de dinheiro que, sem dúvida, reflete uma escolha orçamentária clara. A opção por ampliar tanto a presença midiática levanta questionamentos sobre o equilíbrio na destinação dos impostos.
Os principais beneficiários dos recursos públicos
A maior parte desse orçamento milionário foi parar nos cofres de grandes grupos de comunicação. As principais emissoras de televisão do estado aparecem no topo da lista de recebedores. Afiliadas de redes nacionais como Globo, SBT e RIC receberam repasses vultosos, consolidando um esquema de mídia de amplo alcance.
O investimento não se limitou às fronteiras catarinenses. Veículos de imprensa com atuação nacional também foram contemplados com verbas públicas. Essa estratégia indica um interesse em projetar a imagem do governo para além do estado, conectando-se com a agenda política do país. É um movimento que vai além da simples prestação de contas à população local.
O panorama fica ainda mais claro quando observamos os jornais e as rádios. Publicações com perfil editorial definido e emissoras de alcance nacional receberam quantias significativas. Esse direcionamento específico dos recursos permite entender quais vozes estão sendo fortalecidas com o dinheiro de todos os catarinenses.
O financiamento de portais e páginas de internet
Um aspecto curioso desse grande investimento é a parcela destinada a veículos digitais. Um portal de notícias conhecido por seu alinhamento político específico recebeu valores crescentes ano após ano. O repasse em 2025 foi trinta vezes maior do que a quantia recebida no início da gestão, mostrando uma relação em franca expansão.
Nas redes sociais, o cenário é semelhante. Uma página de memes com milhões de seguidores no Instagram ingressou na lista de beneficiários. O perfil, que frequentemente engaja com conteúdo do governo sem deixar claro tratar-se de publicidade paga, recebeu uma verba substancial. A falta de transparência nesse tipo de ação é um ponto que costuma gerar debates.
Os dados da própria plataforma de anúncios das redes sociais colocam o governo estadual entre os maiores anunciantes do país em um período recente. Campanhas que destacam obras em estradas, também vistas em outdoors por todo o estado, são impulsionadas digitalmente. É uma máquina de comunicação que funciona de forma integrada, online e offline.
A origem controversa de parte dos recursos
Um detalhe crucial merece atenção especial: parte expressiva do dinheiro usado nessa ampla campanha publicitária veio de um programa sensível. Recursos originalmente destinados à prevenção de desastres e adaptação climática foram remanejados para custear propaganda. Em um estado castigado por eventos climáticos extremos, a decisão soa no mínimo contraditória.
Enquanto milhões foram direcionados para pagar espaços em rádio e TV, o programa de gestão de riscos destinou uma quantia menor para sua rede de monitoramento e alerta. A prioridade orçamentária, nesse caso, parece ter sido a divulgação em vez da infraestrutura de prevenção. É uma equação que deixa muitas dúvidas sobre o foco na segurança da população.
Algumas campanhas veiculadas com esses recursos se limitam a promover a imagem da Defesa Civil, sem oferecer informações úteis ou educativas para a população. O cidadão fica sem saber como agir em uma emergência, mas vê a marca do governo estampada na tela. O benefício prático dessa comunicação, portanto, parece mais voltado para a administração do que para o público.
O contexto das regras e os impactos futuros
Esse aumento expressivo nos gastos com comunicação acontece em um momento estratégico. A legislação eleitoral estabelece um limite para despesas com publicidade no primeiro semestre do ano que antecede uma eleição. O teto é calculado com base na média gasta nos três anos anteriores, corrigida pela inflação.
O volume de recursos aplicado agora, portanto, influencia diretamente o espaço orçamentário disponível para o período pré-eleitoral. Um investimento alto neste momento cria uma média elevada, permitindo que se mantenha um ritmo forte de divulgação quando a campanha se aproximar. É uma jogada de planejamento financeiro com claro objetivo político.
Os números totais, considerando todas as despesas já comprometidas, atingem uma marca ainda mais significativa. O valor que ultrapassa os duzentos milhões de reais empenhados mostra a dimensão do esforço de comunicação. A máquina pública está sendo mobilizada para construir e difundir uma narrativa, com um custo que será pago por muito tempo.
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