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SUS testará vacina do Butantan contra a dengue em 3 municípios a partir de 17 de janeiro

A campanha de vacinação contra a dengue no SUS ganha um novo capítulo. Desta vez, com uma arma poderosa desenvolvida aqui mesmo: a primeira vacina de dose única do mundo, criada pelo Instituto Butantan. Ela chega para ajudar a combater uma doença que, só no ano passado, bateu tristes recordes de casos e mortes em todo o país.

A novidade começa a ser testada na prática em três cidades escolhidas como projeto-piloto. A ideia é avaliar o impacto real dessa imunização em larga escala. Se os resultados forem positivos, será um grande passo para proteger milhões de brasileiros de uma forma mais simples e rápida.

A aplicação começa no dia 17 de janeiro em Maranguape, no Ceará, e em Nova Lima, Minas Gerais. No dia seguinte, é a vez de Botucatu, no interior de São Paulo, iniciar sua campanha. Nessas localidades, poderão se vacinar pessoas com idade entre 15 e 59 anos. É o primeiro grupo a receber a nova proteção.

Quem recebe a nova vacina primeiro?

A estratégia inicial é focada nos moradores das três cidades-piloto dentro da faixa etária autorizada. A escolha não foi por acaso. O Ministério da Saúde quer medir com precisão como a vacinação em massa funciona na vida real, antes de expandir para todo o país. São informações valiosas para planejar o futuro.

Logo em seguida, a prioridade será imunizar os profissionais de saúde que atuam na linha de frente do SUS. Médicos, enfermeiros e agentes comunitários de saúde dessas regiões devem começar a receber suas doses ainda no fim de janeiro. Proteger quem cuida da população é fundamental para manter o sistema forte.

A campanha nacional para todos os brasileiros, no entanto, ainda vai depender da produção em larga escala. A fábrica precisa aumentar a fabricação para atender a demanda de um país continental. Enquanto isso, o projeto nos municípios selecionados serve como um importante termômetro.

Como funciona a Butantan-DV?

A grande vantagem dessa vacina, chamada Butantan-DV, é a praticidade. Uma única dose é suficiente para gerar proteção contra a dengue. Ela foi desenvolvida em parceria com um laboratório chinês e aprovada pela Anvisa no final do ano passado. Pode ser aplicada em pessoas de 12 a 59 anos.

Os estudos clínicos mostraram uma eficácia geral de 74,7%. Quando se fala em formas mais graves da doença, os números sobem: 91,6% de eficácia contra dengue com sinais de alarme e 100% contra hospitalizações. A proteção conferida dura cerca de cinco anos, um alívio de longo prazo.

Outro ponto importante é que a vacina é segura tanto para quem já teve dengue quanto para quem nunca foi infectado. Ela contém os quatro sorotipos do vírus, oferecendo uma defesa ampla. É uma tecnologia que coloca o Brasil na vanguarda do combate a essa arbovirose.

E a vacina que já está no SUS?

Atualmente, a rede pública já oferece a vacina Qdenga, da fabricante Takeda. A principal diferença está no esquema vacinal: ela exige duas doses aplicadas com um intervalo de três meses. Por enquanto, a recomendação do Ministério da Saúde é focar em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.

Esse grupo foi escolhido porque concentra o maior número de hospitalizações por dengue. A estratégia é proteger justamente os mais vulneráveis aos desfechos graves. As duas vacinas, cada uma com sua particularidade, são ferramentas complementares na mesma batalha.

A expectativa é que o Butantan consiga produzir 30 milhões de doses por ano a partir do segundo semestre de 2026. A ampliação dependerá da demanda e da capacidade da fábrica. Até lá, o aprendizado com os municípios-piloto será crucial para um roll-out eficiente em todo o território nacional.

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