O ex-presidente Jair Bolsonaro bateu a cabeça durante a madrugada de terça-feira em sua cela na Polícia Federal em Brasília. O incidente levou sua defesa a pedir ao Supremo Tribunal Federal uma transferência imediata para um hospital. O objetivo seria realizar uma série de exames neurológicos considerados urgentes pela equipe médica particular do ex-presidente.
A queda aconteceu enquanto ele dormia. Segundo relatos, ele teria sofrido uma crise, caído da cama e atingido a cabeça em um móvel. Como a cela permanecia fechada, o atendimento só aconteceu horas depois, quando foi chamado para receber uma visita. A defesa destacou o histórico de saúde do ex-presidente, incluindo complicações de uma facada de 2018, para argumentar que o caso era grave e exigia ação imediata.
A primeira resposta do ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo caso, foi negar o pedido de remoção imediata. A decisão se baseou em um laudo preliminar dos médicos da Polícia Federal, que atenderam Bolsonaro por volta das nove da manhã. Eles constataram apenas ferimentos leves, como um corte superficial no rosto e outro no pé, e não viram necessidade de levá-lo a um hospital naquele momento.
O que dizem os médicos
Os peritos da PF descreveram um paciente consciente e orientado, sem sinais claros de déficit neurológico. Bolsonaro relatou ter sentido tonturas no dia anterior e crises de soluço intenso durante a noite. As hipóteses levantadas por eles incluíam uma possível interação medicamentosa, uma crise epiléptica ou questões relacionadas ao uso de um aparelho para auxiliar a respiração durante o sono.
Por outro lado, o médico particular do ex-presidente, Brasil Ramos Caiado, apresentou um diagnóstico mais alarmante. Ele descreveu um quadro compatível com traumatismo craniano, síncope noturna e até uma possível crise convulsiva a ser esclarecida. O médico pediu a realização urgente de tomografia, ressonância magnética e eletroencefalograma em ambiente hospitalar especializado.
Essa divergência entre os laudos médicos está no centro do debate. Enquanto a PF avalia que a observação no local é suficiente, a defesa insiste que apenas exames hospitalares complexos podem afastar riscos de um agravamento neurológico. A ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, afirmou que o marido estava de jejum à espera da autorização para fazer os exames.
Os desdobramentos práticos
Logo após o primeiro pedido negado, a defesa apresentou um novo requerimento, anexando o laudo do médico particular. Nele, os advogados reiteram a necessidade dos exames em um hospital, citando o risco de complicações irreversíveis. O ministro Alexandre de Moraes ainda não se pronunciou sobre este segundo pedido, mantendo a situação em suspenso.
Cenários práticos chegaram a ser montados e depois desfeitos. No início da tarde, batedores da Polícia Militar se posicionaram na sede da PF para escoltar um comboio que levaria Bolsonaro ao Hospital DF Star, a cerca de um quilômetro dali. Com a negativa do ministro, a logística foi cancelada. Michelle Bolsonaro, que foi ao hospital aguardar a chegada do marido, precisou retornar à superintendência da PF.
Este episódio ocorre pouco depois de Bolsonaro ter recebido alta hospitalar. Ele havia passado oito dias no hospital DF Star para tratar de uma hérnia na virilha e crises de soluço, sequelas do atentado de 2018. Na ocasião, o ministro Moraes também negou um pedido da defesa para converter a prisão em domiciliar, argumentando que o quadro de saúde do ex-presidente estava em melhora, e não em agravamento.
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