Os números da balança comercial de 2025 acabaram de sair e trazem uma história interessante para contar. À primeira vista, o superávit de 68,3 bilhões de dólares parece um excelente resultado. E de fato, é o terceiro maior da história, desde 1989. No entanto, esse valor representa a menor marca em três anos, com uma queda de quase 8% comparado a 2024. Isso significa que, mesmo batendo recordes absolutos, o ritmo de crescimento do nosso comércio exterior desacelerou. O cenário foi marcado por dois movimentos fortes: um aumento robusto das importações e os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos.
O conceito é simples: superávit é quando vendemos mais para o exterior do que compramos. O país fechou o ano vendendo 348,7 bilhões de dólares em produtos e comprando 280,4 bilhões. Ambos são números recordes em valores totais. Acontece que as importações cresceram em um ritmo muito mais acelerado, puxadas pelo aquecimento da economia brasileira e pela necessidade de insumos para a produção interna. Enquanto as exportações subiram 3,5%, as compras do exterior avançaram 7,1%. Essa diferença de velocidade naturalmente reduziu a margem do superávit.
O ano foi desafiador por causa do chamado “tarifaço” americano. A partir de abril, os Estados Unidos começaram a aplicar sobretaxas a diversos países, com alvos específicos como aço e alumínio. Em agosto, uma medida mais dura chegou para o Brasil: uma tarifa extra de 50%, embora com uma longa lista de exceções. Negociações ao longo do ano conseguiram isentar produtos importantes como carne bovina, café e cacau. Mesmo assim, parte significativa das nossas vendas para aquele mercado seguiu enfrentando barreiras.
O impacto concreto foi sentido no fluxo de dólares. As exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 6,6% em 2025, uma redução de 2,65 bilhões de dólares. Como continuamos a importar bastante de lá, o déficit comercial com os americanos explodiu. Saltou de 253 milhões de dólares em 2024 para 7,53 bilhões em 2025. Esse é o pior resultado desde 2022 e mantém uma sequência de saldos negativos que já dura desde 2009. A relação comercial com nosso segundo maior parceiro ficou claramente mais cara e complexa.
A grande estratégia que evitou um resultado pior foi a diversificação. Enquanto as vendas para os EUA encolhiam, o Brasil correu atrás de outros mercados e conseguiu crescer neles. As exportações para a China, nosso maior comprador, subiram 6%. Para o Mercosul, houve um salto expressivo de 26,6%, com a Argentina se destacando. As vendas para a Europa também cresceram 6,2%. Esse movimento mostrou a resiliência dos exportadores brasileiros, que buscaram alternativas para compensar as dificuldades em um front específico.
Além da geografia, a composição das vendas também enfrentou pressões. A queda nos preços internacionais de commodities, especialmente o petróleo, pesou nos valores totais exportados. Mesmo vendendo um volume físico grande, o retorno em dólares foi um pouco menor. Por outro lado, o crescimento das importações reflete um Brasil que está produzindo mais. Muitas dessas compras do exterior são máquinas, peças e componentes necessários para as fábricas daqui funcionarem. É um sinal de atividade econômica aquecida, que acaba tendo esse efeito colateral na balança comercial.
Olhando para o todo, o desempenho de 2025 revela uma economia inserida em um mundo com mais obstáculos. Apesar das barreiras tarifárias e da volatilidade dos preços de produtos básicos, o país conseguiu manter um fluxo comercial vigoroso e um superávit robusto. A capacidade de abrir novos mercados e fortalecer parcerias tradicionais foi crucial. O resultado final, ainda que um pouco menor, demonstra que o comércio exterior brasileiro segue como um setor dinâmico, adaptando-se aos ventos contrários da política e da economia global.
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