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Ao menos 33 senadores devem tentar reeleição, e 4 sinalizam aposentadoria

O cenário político brasileiro já começa a esquentar para 2026, mesmo faltando dois anos. Naquele outubro, os eleitores não escolherão apenas presidente e governadores. Uma parte muito importante do Congresso também estará em jogo: exatamente dois terços do Senado Federal.

Isso significa que 54 das 81 cadeiras da Casa estarão em disputa. É uma renovação significativa, que pode mudar completamente os rumos do poder legislativo nos próximos anos. O resultado desse pleito vai definir o equilíbrio de forças no país por um longo período.

Nesse contexto, um levantamento recente mapeou as intenções dos atuais senadores. A grande maioria dos que têm o mandato terminando já definiu seus planos. Pelo menos 33 deles anunciaram que vão tentar a reeleição, buscando permanecer no cargo por mais oito anos.

Mas o que fazem os outros? Doze senadores em fim de mandato afirmam que seu futuro ainda está indefinido. Eles aguardam cenários políticos mais claros ou negociam alianças. Seis outros já decidiram que não vão disputar as próximas eleições de forma alguma.

Além disso, há casos bem particulares. Um senador decidiu tentar uma vaga na Assembleia Legislativa de seu estado, um cargo considerado menor. Outro está de olho no Palácio do Governo. E existe ainda um que já lançou sua pré-candidatura à Presidência da República: Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro.

A importância crucial do Senado em 2026

Por que tanta atenção em uma eleição para o Senado? A resposta está no poder único que esta Casa tem. Nos últimos anos, o Senado ganhou um papel central no embate político entre o Executivo e o Judiciário. Especialmente no que diz respeito ao Supremo Tribunal Federal.

Isso porque somente o Senado pode autorizar processos de impeachment contra ministros do STF. Grupos políticos que se sentiram prejudicados por decisões da corte nos últimos anos veem a eleição de 2026 como uma oportunidade. Eles buscam eleger senadores alinhados para, potencialmente, aumentar a pressão sobre os ministros.

O principal alvo desse movimento é o ministro Alexandre de Moraes. Ele foi o relator do processo que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. Controlar o Senado, portanto, vai muito além das pautas legislativas comuns. Envolve uma disputa direta pelo equilíbrio entre os poderes.

Quem pretende trocar o Senado pelo Palácio do Governo?

A corrida para os governos estaduais também atrai parlamentares. Pelo menos dez senadores já se declararam pré-candidatos a governador. A grande vantagem para a maioria deles é que estão no meio do mandato, que dura oito anos.

Isso cria uma situação de segurança. Se o senador perder a eleição para governador, ele simplesmente retorna ao seu cargo no Senado pelos quatro anos restantes. É um risco calculado, que incentiva apostas mais ousadas. A única exceção neste grupo é Eduardo Girão, do Novo do Ceará, que está no fim do seu mandato.

Outros três senadores estão em dúvida. Eles afirmam que podem ser candidatos a governador, mas ainda não descartaram a possibilidade de tentar a reeleição para o Senado. São eles: Izalci Lucas (PL-DF), Jayme Campos (União Brasil-MT) e Marcos Rogério (PL-RO).

Os que planejam sair de cena

Por outro lado, um grupo significativo planeja se afastar das urnas. Vinte e dois senadores declararam que não serão candidatos a nada em 2026. Seis deles estão justamente no fim do mandato e, se mantiverem a decisão, ficarão sem cargo eletivo a partir de 2027.

As razões para sair são as mais variadas. A senadora Daniella Ribeiro, do PP da Paraíba, por exemplo, abrirá mão da reeleição para apoiar a campanha do filho, o vice-governador Lucas Ribeiro, ao governo estadual. Já José Lacerda, do PSD de Mato Grosso, vai ceder espaço para que o ministro Carlos Fávaro, a quem substitui, busque a vaga efetiva.

Quatro senadores em fim de mandato sinalizam uma aposentadoria definitiva da vida eleitoral. São nomes veteranos e com longa trajetória: Cid Gomes (PSB-CE), Jader Barbalho (MDB-PA), Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) e Paulo Paim (PT-RS). A lista de despedidas pode ainda crescer.

Confúcio Moura (MDB-RO) avalia a possibilidade de se retirar da vida pública. Jorge Kajuru (PSB-GO) pensa em voltar a trabalhar na televisão. O movimento inverso também existe: duas senadoras planejam concorrer a cargos considerados menores. Mara Gabrilli (PSD-SP) quer ser deputada estadual, e Augusta Brito (PT-CE) almeja uma vaga na Câmara dos Deputados.

O mapa está se desenhando. As definições de agora mostram um Congresso em transição, com veteranos se preparando para sair e outros buscando novos desafios. A composição do próximo Senado, que será eleito em 2026, dependerá muito dessas decisões pessoais e dos ventos políticos que soprarão nos próximos meses.

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