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A trajetória de Gabigol: do “menino da Vila” às provocações no Santos

A torcida santista cantava nos corredores da Vila Belmiro, aguardando o anúncio. E, neste sábado, o desejo virou realidade. Gabriel Barbosa está de volta ao Santos após oito anos longe de casa. O atacante, que se formou nas categorias de base do clube, retorna por empréstimo do Cruzeiro com contrato até 2026.

O reencontro parecia improvável há pouco tempo. Enquanto Gabigol vivia seu auge no Flamengo, o Santos enfrentava a pior fase de sua história. A queda para a Série B, em 2023, marcou um contraste doloroso com os títulos que o atacante conquistava pelo rival. Agora, os caminhos se cruzam novamente em um momento crucial para ambos.

A expectativa é grande. O retorno traz a promessa de reacender a magia no ataque, ao lado de Neymar, seu cunhado. Mais do que números, a torcida espera reencontrar o menino da Vila que um dia encantou. O desafio é reconquistar o carinho após anos de distância e algumas rusgas pelo caminho.

Uma história que começou cedo

A ligação de Gabigol com o Santos vem da infância. Ele chegou à base com apenas oito anos, em 2004. Sua estreia no profissional, em 2013, foi emblemática: aconteceu no jogo de despedida de Neymar, antes da ida do astro para o Barcelona. O adversário daquele dia, curiosamente, era o Flamengo.

Sua primeira passagem pelo time principal durou até 2016. Ele foi artilheiro do Campeonato Brasileiro em 2018, com 18 gols, e também liderou as estatísticas da Copa do Brasil em 2014 e 2015. Conquistou dois títulos paulistas, em 2015 e 2016, antes de seguir para a Europa.

A experiência no velho continente, porém, não foi como o esperado. Passagens pela Inter de Milão e pelo Benfica renderam poucos minutos em campo. O retorno ao Brasil, em 2018, foi a volta às origens. Somando suas duas primeiras fases no clube, são 210 jogos, 84 gols marcados e 13 assistências.

Provocações e reencontros marcantes

A relação nem sempre foi só de amor. Após deixar o Santos em 2019, Gabigol teve vários embates contra seu ex-clube vestindo a camisa do Flamengo. Em 2019, marcou o gol da vitória no Maracanã e, no returno, foi alvo de provocações após uma goleada. Ele respondeu apontando para a tatuagem da Libertadores, conquistada dias antes.

Em 2020, marcou seu primeiro gol na Vila Belmiro pelo Flamengo e fez uma homenagem emocionante. No ano seguinte, foi ainda mais decisivo: marcou três gols em solo santista. Provocado por gritos da tribuna de imprensa, comemorou efusivamente diante dos críticos. Ele justificou que reagia aos insultos.

O último capítulo dessa rivalidade foi em 2022, quando entrou no segundo tempo e decidou o jogo a favor do Flamengo. Na comemoração, colocou a mão no ouvido. Em 2025, já pelo Cruzeiro, o clima foi diferente. Ele notou que, entre os xingamentos, muitos torcedores faziam gestos pedindo seu retorno.

O novo capítulo em 2026

Agora, a página está virada. Gabigol retorna para um Santos que busca reerguer-se após o trauma do rebaixamento. Seu objetivo pessoal é reencontrar a boa forma física e o ritmo de jogo, após uma temporada abaixo de suas marcas habituais no Cruzeiro. A parceria com Neymar no ataque é o grande trunfo.

A reconciliação com a torcida deve ser um processo natural, guiado pelo futebol. Gols e assistências tendem a apagar memórias recentes de provocação e a resgatar a lembrança do garoto prodígio que saiu daqui. O ambiente familiar, com a presença da irmã na cidade, também conta a favor.

O sentimento é de recomeço. A história que começou na infância ganha um capítulo inédito, com a maturidade de quem já viveu glórias e polêmicas. O menino da Vila volta para casa, com a missão de ser peça fundamental em uma nova era vitoriosa para o clube que o revelou para o futebol.

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