A equipe de defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro entrou com um novo recurso no Supremo Tribunal Federal. Eles pedem que ele cumpra os 27 anos de prisão em regime domiciliar, e não na cela da Polícia Federal. O argumento central é a saúde frágil do ex-mandatário.
Bolsonaro está internado em uma clínica privada de Brasília desde o dia 24 de dezembro. Ele foi submetido a uma cirurgia para corrigir uma hérnia inguinal, problema que surgiu na região do abdômen. A alta médica estava prevista para esta quinta-feira.
Os advogados afirmam que um retorno imediato à prisão comum representa um risco grave. Eles alegam que poderia haver uma piora súbita no estado de saúde do paciente. O pedido busca evitar esse cenário após a saída do hospital.
A internação e o estado de saúde
O ex-presidente foi operado no próprio dia de Natal. De acordo com seu cirurgião, Claudio Birolini, a recuperação pós-operatória segue dentro do esperado. Por esse motivo, a previsão de alta se manteve para o dia seguinte ao anúncio.
Além da cirurgia de hérnia, Bolsonaro enfrenta um problema persistente: crises de soluços. Ele foi submetido a três procedimentos médicos específicos para tratar esse incômodo, que já dura vários meses. Os médicos relatam que os episódios diminuíram, mas não cessaram totalmente.
Essas complicações de saúde têm relação com um atentado sofrido em 2018, durante a campanha eleitoral. Na ocasião, Bolsonaro foi esfaqueado no abdômen. Desde então, ele passou por uma série de intervenções cirúrgicas para tratar as sequelas do ataque.
O contexto legal da condenação
Em setembro do ano passado, o Supremo Tribunal Federal condenou Jair Bolsonaro. Os ministros o consideraram culpado por envolvimento em atos que buscavam manter seu governo de forma autoritária. Esses eventos ocorreram após a eleição presidencial de 2022, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva.
A pena definida pelo STF foi de 27 anos de prisão. No final de novembro, ele começou a cumpri-la na sede da Polícia Federal, em Brasília. Bolsonaro sempre declarou ser inocente das acusações, mas está submetido à decisão da Justiça.
Esta internação de nove dias foi a primeira aparição pública do ex-presidente desde que foi preso. A visão dele na clínica trouxe o debate sobre suas condições físicas de volta ao centro da discussão pública e jurídica.
O impacto psicológico e o pedido
Os médicos que o acompanham observam que o estado emocional do ex-presidente já era abalado. O cardiologista Brasil Caiado comentou que o quadro psicológico "piora consideravelmente" durante as crises prolongadas de soluços. O desconforto físico gera um desgaste mental intenso.
O pedido de prisão domiciliar tenta considerar essa combinação de fatores. A defesa alega que o estresse do cárcere comum pode agravar os problemas existentes. Eles defendem que o monitoramento em casa ofereceria um ambiente mais adequado para a recuperação.
O Supremo Tribunal Federal agora avalia os novos argumentos apresentados pelos advogados. A decisão vai definir se Bolsonaro retorna à cela ou inicia o regime domiciliar. Tudo depende de como a corte interpreta a relação entre a saúde do paciente e a execução da pena.
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