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Após deflação em 2025, o que esperar do IGP-M em 2026

O ano de 2025 terminou com uma surpresa agradável para quem paga aluguel ou acompanha o mercado imobiliário. O principal índice usado para calcular os reajustes dos contratos, o IGP-M, fechou o mês de dezembro com uma leve queda. Esse movimento reverteu a alta registrada em novembro e consolidou um cenário raro: um ano inteiro de deflação para o indicador. Enquanto em 2024 os valores subiam de forma acentuada, agora o caminho foi o oposto.

Esse resultado reflete um ambiente econômico global mais tranquilo e uma situação favorável nas lavouras brasileiras. Com a desaceleração da atividade no mundo e boas safras agrícolas, a pressão sobre os preços das matérias-primas diminuiu bastante. Isso criou um alívio direto nos custos para quem produz bens, o que acabou se refletindo no índice geral. Foi um respiro importante em meio a um ano marcado por incertezas.

No entanto, é preciso observar que essa queda no atacado não chegou com a mesma força ao bolso do consumidor final. Enquanto os preços ao produtor caíram, a inflação que medimos no dia a dia, como no supermercado ou na conta de serviços, seguiu subindo, ainda que de forma moderada. Esse descompasso mostra como a economia pode apresentar comportamentos distintos em cada uma de suas pontas.

A queda nos preços do atacado

Em dezembro, o índice que mede os preços no atacado, o IPA, registrou uma queda. A retração foi puxada principalmente pela baixa no custo das matérias-primas brutas, como produtos agrícolas e minerais. Itens como soja, milho e minério de ferro tiveram desempenho positivo para o bolso do produtor. Já os preços de bens finais e intermediários variaram pouco, sinalizando que a pressão por aumentos na cadeia produtiva perdeu força.

Por outro lado, o índice de preços ao consumidor, o IPC, seguiu em trajetória de alta no último mês do ano. Cinco das oito categorias de despesa desaceleraram, com destaque para alimentação, saúde e roupas. Isso trouxe algum alívio para o orçamento familiar. No entanto, setores como habitação, educação e transportes aceleraram seus reajustes, mostrando que a inflação para o consumidor segue sendo um fenômeno bastante desigual.

O custo da construção civil também apresentou sinais de moderação em dezembro. O índice do setor subiu, mas em um ritmo mais lento que no mês anterior. A pressão pelo aumento no preço dos materiais deu uma trégua, mas serviços e mão de obra continuaram com tendência de alta. Essa dinâmica ajuda a explicar por que o aluguel novo ou a compra de um imóvel ainda pesam no orçamento, mesmo com a queda do IGP-M.

A perspectiva para o próximo ano

Para 2026, a expectativa dos economistas é de que o IGP-M não repita o desempenho negativo. O indicador deve voltar a registrar variações positivas, embora ainda baixas, ao longo dos próximos doze meses. Um dos motivos para essa mudança é o ciclo esperado de cortes na taxa básica de juros, a Selic. A medida deve estimular a atividade econômica a partir do segundo semestre, o que tende a provocar uma recomposição gradual de preços em vários setores.

Além disso, é pouco provável que a agricultura tenha novamente uma performance tão favorável quanto em 2025. Isso significa que a forte queda nos preços dos alimentos, que foi um dos grandes vetores da desinflação, dificilmente se repetirá. A comida na mesa deve ter um comportamento mais estável, sem grandes quedas que ajudem a puxar os índices para baixo.

Outro ponto de atenção para o próximo ano é o câmbio. Em períodos eleitorais, a cotação do dólar costuma apresentar maior volatilidade. Qualquer movimento mais brusco pode afetar diretamente o preço de commodities e insumos importados, gerando pressão inflacionária. Em 2025, a valorização do real foi uma aliada no controle dos preços. Manter essa estabilidade será um desafio importante em 2026.

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