Um militar condenado por envolvimento nos atos golpistas de 2022 começou a cumprir sua pena nesta semana. O tenente-coronel Guilherme Marques Almeida se apresentou à Polícia Federal em Goiânia na tarde de segunda-feira. Ele vai cumprir prisão domiciliar na cidade, por decisão de um ministro do Supremo Tribunal Federal.
A medida cautelar foi aplicada depois da tentativa de fuga de outro investigado, capturado no Paraguai. Por precaução, o tribunal decidiu impor a prisão domiciliar a vários acusados, mesmo com recursos ainda em andamento. No caso deste militar, o cumprimento será em Goiânia, sob rígidas condições.
Além de ficar em casa, ele está proibido de usar redes sociais e de ter contato com outros investigados. O uso de tornozeleira eletrônica também é obrigatório. Essas regras visam garantir o acompanhamento do processo e evitar novos incidentes.
O militar e as operações psicológicas
Guilherme Marques Almeida era conhecido como “Kid Preto” e comandava o 1º Batalhão de Operações Psicológicas em Goiânia. Sua atuação no Exército incluiu uma missão como instrutor no Peru durante a pandemia. Essas informações constam em registros oficiais publicados no Diário Oficial da União.
A carreira dele ganhou outro rumo quando se tornou alvo da Operação Tempus Veritatis, em fevereiro de 2024. As investigações apontam que ele integrava um grupo dedicado a espalhar desinformação e atacar o sistema eleitoral. O trabalho desse núcleo era considerado central para a articulação golpista.
Dentro da estrutura investigada pelo STF, ele foi enquadrado no chamado núcleo 4 da trama. Esse grupo tinha funções específicas na difusão de narrativas falsas. A atuação em operações psicológicas parece ter sido um fator relevante para seu recrutamento.
As gravações e a defesa do golpe
As provas colhidas pela Polícia Federal foram contundentes. Em áudios extraídos de celulares e computadores apreendidos, a voz do tenente-coronel defende a necessidade de ir além dos limites legais. “Vai ter uma hora que a gente vai ter que sair ou então eles vão continuar dominando a gente”, afirmou ele em uma das conversas.
Em outro trecho, ele faz uma analogia clara com um jogo. Diz que a disputa eleitoral é o “jogo dentro das quatro linhas”. E completa: “O que a gente não apresentou até agora foi o jogo fora”. As falas deixam evidente a disposição de recorrer a ações ilegais para alcançar seus objetivos.
Ele também criticou a postura dos comandantes das Forças Armadas na época. Em sua visão, o então ministro da Defesa deveria ter se pronunciado publicamente. “Qualquer declaração agora ganharia todos os holofotes da mídia”, analisou, mostrando preocupação com a opinião pública.
O desfecho e a prisão domiciliar
O militar ficou marcado por um episódio curioso durante a operação que o prendeu. Ele desmaiou no momento da abordagem e precisou ser socorrido pelos próprios agentes. Depois de se recuperar, colaborou com os policiais durante as buscas em sua residência.
Agora, condenado a treze anos e seis meses de prisão, ele aguarda o julgamento de seus recursos em liberdade vigiada. A prisão domiciliar é uma alternativa à detenção em presídio, mas impõe severas restrições à sua rotina. O caso segue sob os olhos atentos da Justiça.
A situação ilustra como as investigações avançam mesmo após as condenações iniciais. Cada nova decisão judicial busca equilibrar a aplicação da lei com as garantias processuais. Enquanto isso, a vida dos envolvidos muda radicalmente.
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