Os Correios anunciaram nesta segunda-feira um plano de reestruturação ousado para tentar reverter uma crise financeira profunda. A empresa pública acumula prejuízos bilionários há anos e busca um novo equilíbrio. A medida mais impactante, sem dúvida, é o fechamento de cerca de mil agências próprias pelo país.
Isso representa aproximadamente 16% do total de unidades administradas diretamente pela estatal. A decisão visa economizar cerca de R$ 2,1 bilhões, um valor necessário para aliviar as contas no vermelho. Apesar do corte, a empresa garante que o atendimento em regiões mais remotas será preservado.
O princípio da universalização, que obriga os Correios a atender todo o território nacional, não será abandonado. A ponderação entre custo e cobertura geográfica guiará os fechamentos. A rede completa de atendimento, incluindo parcerias, soma mais de dez mil pontos no Brasil.
Cortes profundos no quadro de funcionários
Além das agências, o plano prevê uma redução significativa no número de servidores. A meta é demitir, de forma voluntária, até 15 mil funcionários até 2027. Dois programas de demissão voluntária, os PDVs, estão previstos para os próximos anos.
As despesas com pessoal são um dos grandes gargalos, representando 90% dos custos fixos da empresa. Essa rigidez dificulta qualquer manobra em momentos de crise. A expectativa é reduzir essas despesas em R$ 2,1 bilhões anualmente.
Os benefícios dos empregados, como plano de saúde e previdência complementar, também serão revistos. A direção argumenta que o custo atual é financeiramente insustentável para a companhia. A venda de imóveis próprios complementa a estratégia, com potencial de gerar R$ 1,5 bilhão.
A busca por capital e um novo modelo de empresa
Para cobrir as necessidades imediatas, os Correios conseguiram um empréstimo de R$ 12 bilhões com bancos. O dinheiro reforçará o caixa, mas ainda há uma lacuna de R$ 8 bilhões a ser preenchida até 2026. A busca por soluções financeiras continua a todo vapor.
No horizonte de longo prazo, surge a possibilidade de uma mudança radical no modelo societário. A estatal estuda abrir seu capital a partir de 2027, deixando de ser 100% pública. O modelo em análise é o de empresa de economia mista, similar ao da Petrobras e do Banco do Brasil.
Essa transformação poderia trazer novos investimentos e uma gestão mais flexível para o mercado. A ideia é assegurar a sobrevivência e a relevância da empresa no futuro. O presidente enfatizou que o plano visa muito além da simples recuperação financeira.
As raízes de uma crise anunciada
A crise nos Correios não é um fenômeno isolado ou recente. Ela reflete uma transformação global no setor postal, acelerada pela digitalização. As cartas físicas, outrora a principal fonte de receita, foram substituídas por e-mails e mensagens instantâneas.
A explosão do comércio eletrônico, paradoxalmente, não foi suficiente para compensar essa perda histórica. Apesar do crescimento no volume de encomendas, a concorrência de empresas privadas é feroz. Muitas operadoras focam apenas nas rotas mais lucrativas, deixando a universalização para a estatal.
Empresas de correio no mundo todo enfrentam desafios similares. O serviço postal americano, por exemplo, reporta prejuízos na casa dos bilhões de dólares. A adaptação a essa nova realidade é um desafio complexo e urgente para garantir que os Correios sigam integrando o país.
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