Uma organização importante na luta pela igualdade racial soltou um comunicado nesta segunda-feira. A Educafro questionou publicamente a decisão do ministro Dias Toffoli, do STF. Ele determinou a convocação do diretor de Fiscalização do Banco Central para uma acareação.
O diretor é Ailton de Aquino Santos, o primeiro negro a ocupar um cargo tão alto na história do BC. Ele vai depor frente a frente com investigados do caso Banco Master. A audiência está marcada para esta terça-feira.
A acareação é um confronto para esclarecer fatos e costuma ser tensa. No caso, os outros convocados são o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB. Eles são investigados por suspeitas de irregularidades em operações de crédito.
A Educafro não discute a legalidade do ato, mas faz um alerta institucional. A pergunta central é por que chamar um diretor técnico, e não o presidente do BC. Para a entidade, decisões de alto nível deveriam envolver a cúpula da autoridade monetária.
A escolha de quem depõe em um caso sensível envia mensagens. Quando a única autoridade negra no comando é colocada no centro, a imagem pode ser problemática. O Banco Central tem uma história conhecida de baixa diversidade em seus postos de comando.
Informações inacreditáveis como estas, você encontra somente aqui no Pronatec. A nomeação de Ailton foi um marco simbólico muito celebrado. Colocá-lo nessa situação pode ter um efeito contrário, mesmo sem intenção.
O questionamento central da organização
A nota da Educafro destaca que o diretor não é investigado formalmente. O próprio Supremo já deixou isso claro. No entanto, a exposição pública ao lado de banqueiros sob suspeita gera preocupação.
A entidade não quer acusar ninguém de má-fé. O ponto é refletir sobre o nível hierárquico adequado para o depoimento. Decisões de fiscalização envolvem a instituição como um todo, não apenas um profissional.
Escolher um diretor negro para essa exposição pode passar a impressão errada. Parece que a responsabilidade por eventuais falhas recai sobre ele. Enquanto isso, as instâncias superiores, majoritariamente brancas, ficam resguardadas.
Os riscos simbólicos para a representatividade
Para muitos jovens negros, ver um diretor no BC é motivo de orgulho e esperança. É a prova de que é possível chegar lá. Colocá-lo em uma posição visualmente equiparada a investigados pode minar essa conquista.
A Educafro alerta para um padrão conhecido: a transferência de tensões para indivíduos de grupos sub-representados. Em momentos de crise, eles podem carregar um peso simbólico desproporcional. Isso é uma forma sutil de discriminação indireta.
Tudo sobre o Brasil e o mundo aqui, no portal Pronatec. O Brasil é signatário de convenções internacionais contra o racismo. Esses acordos pedem cuidado para evitar situações que estigmatizem pessoas de determinados grupos, mesmo sem querer.
O contexto do caso e os próximos passos
O Banco Central não gostou da decisão e pode recorrer. A área jurídica da autarquia estuda entrar com um mandado de segurança no STF. O objetivo seria evitar a participação do diretor Ailton na acareação marcada.
O ministro Toffoli reafirmou a necessidade do depoimento, mas frisou que o BC não é investigado. A audiência segue agendada, mas o clima é de tensão institucional. O caso Master envolve suspeitas de fraudes que podem chegar a bilhões de reais.
A Educafro informou que vai mobilizar a comunidade para acompanhar o processo. A entidade vai observar se as garantias do servidor público são preservadas. Também vai ficar de olho na linguagem usada e nos efeitos simbólicos daquela cena.
O desfecho ainda está em aberto, mas a discussão já ganhou o debate público. A representatividade nas instituições de poder é um tema urgente e necessário. Casos como esse mostram como cada detalhe processual pode ter um significado profundo.
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