A noite de domingo em Fortaleza foi marcada por um espetáculo de sons e luzes que nada tinha de comemorativo. Por volta das oito horas, fogos de artifício explodiram com intensidade em vários pontos da cidade. A queima coordenada foi uma ação da facção Comando Vermelho, segundo apuraram as forças de segurança.
O barulho ensurdecedor tomou conta de bairros como Pirambu, Barra do Ceará e Aracapé. Em muitos lares, o sentimento foi de puro medo e insegurança. A dimensão do evento foi tão grande que os fogos foram avistados até em cidades da região metropolitana, como Caucaia e Maracanaú.
A motivação por trás dos rojões, de acordo com investigações, foi celebrar o avanço territorial do grupo criminoso. Essa prática, infelizmente, não é nova e serve como uma forma de demonstração de poder. Para a população, no entanto, soa como um claro sinal de perturbação e temor.
A reação da polícia foi imediata. A Polícia Militar do Ceará reforçou o patrulhamento nas áreas mais afetadas pela queima de fogos. Durante as rondas, nove pessoas suspeitas de envolvimento direto na ação foram capturadas. A operação buscou conter novos incidentes e identificar os responsáveis.
Oito dessas prisões aconteceram no bairro Jardim Cearense. Os suspeitos foram surpreendidos pela polícia enquanto se preparavam para soltar mais fogos. Com eles, foram apreendidos diversos rojões e uma motocicleta, usada para dar suporte logístico à atividade ilegal.
Dois adolescentes estavam entre os detidos no local. Eles foram levados para a Delegacia da Criança e do Adolescente. A polícia seguiu atuando e conseguiu um nono adolescente, de apenas 13 anos, no Pirambu. As investigações apontam que ele também tem ligação com o tráfico.
O papel das redes sociais nesse episódio também chama a atenção. Parte dos suspeitos estaria usando a internet para divulgar as ações criminosas. Esse tipo de exposição pública é uma tática para intimidar e marcar território, ampliando o clima de insegurança.
As apreensões e prisões são um passo, mas o trabalho continua. Os órgãos de segurança pública do estado seguem investigando a fundo a atuação da facção na capital. O objetivo é desarticular a rede e identificar todos os possíveis envolvidos nesse e em outros eventos similares.
Enquanto isso, a população tenta retomar a normalidade. Viver sob o estrondo de fogos a serviço do crime é uma realidade dura para muitos fortalezenses. A esperança é que o trabalho das autoridades traga de volta a tranquilidade que deveria ser comum a todos os bairros.
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