Flávio Bolsonaro começou sua pré-campanha à Presidência com um objetivo claro: construir credibilidade. Para isso, ele sabe que precisa apresentar um time sólido e afastar a imagem de inexperiência que marcou o governo de seu pai. Sua estratégia inicial tem sido buscar o apoio de figuras conhecidas do mercado financeiro e da direita política.
O senador tem repetido que está dedicado a montar o melhor grupo de auxiliares. Aliados próximos avaliam que Jair Bolsonaro se cercou de pessoas inábeis em muitos casos, um erro que o filho mais velho quer evitar a todo custo. A ideia é que nomes com trânsito e respeito em setores-chave possam demonstrar seriedade ao projeto.
Nesta fase, o principal esforço tem sido conquistar a confiança do mercado financeiro. Esse setor ainda demonstra preferência pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Para mudar essa percepção, Flávio tem recorrido a intermediários e participado de reuniões discretas com banqueiros e investidores em São Paulo.
Um nome tem sido central nessa aproximação: Filipe Sabará, ex-secretário de João Doria. Ele organizou os primeiros encontros do senador com representantes do banco suíço UBS e com um grupo de empresários. Sabará acredita que sua proximidade com o mercado tornou natural fazer essa ponte, já que muitos começaram a perguntar sobre Flávio.
Foi o mesmo Sabará quem articulou o apoio do influenciador Pablo Marçal à pré-campanha. Após uma conversa, Marçal colocou todo seu arsenal de comunicação digital à disposição do senador. Esse movimento mostra a busca por canais diretos com o eleitor, além dos meios tradicionais de política.
Aliados reconhecem que a avenida Faria Lima, símbolo do mercado financeiro, representa uma parcela mínima do eleitorado. No entanto, a avaliação interna é que a desconfiança desse setor passa um sinal negativo para o resto do país. Por isso, a aprovação deles é vista como um termômetro importante de credibilidade.
Conversas e alianças políticas
Para construir sua base programática, Flávio tem buscado conselhos de ex-integrantes da equipe econômica bolsonarista. Ele já discutiu propostas com o ex-ministro Paulo Guedes, com Adolfo Sachsida e com Gustavo Montezano, ex-presidente do BNDES. A empresários, ele se apresenta como um "Bolsonaro moderado".
Ele afirma seguir a "cartilha de Paulo Guedes", com promessas de diminuir impostos, controlar os juros e enxugar a máquina pública. A intenção, segundo seu círculo, é anunciar possíveis nomes para futuros ministérios antes mesmo da eleição, para gerar confiança no projeto.
Em um almoço com investidores, Flávio teria se definido como "o Bolsonaro que sempre quiseram". Ele destacou ser respeitado no Senado e disposto a fazer composições políticas, dialogando com todos. O senador enfrentou perguntas duras sobre a alta rejeição da família, mas manteve o discurso de conciliação.
A estruturação da base de apoio
No campo político, Flávio tem se apoiado fortemente na cúpula do seu partido, o PL. Valdemar Costa Neto, presidente da legenda, e o senador Rogério Marinho, secretário-geral do partido, são peças-chave. Marinho, que foi ministro no governo anterior, tem se engajado ativamente para articular apoios junto a outras siglas.
Flávio declarou publicamente que quer Marinho ao seu lado o tempo todo durante a campanha, elogiando sua competência e confiança. Ele busca pessoas que "não gostam de ficar na zona de conforto". Esse apoio interno é vital, já que partidos como PP, União Brasil e Republicanos ainda não demonstraram o mesmo entusiasmo.
Em São Paulo, o deputado estadual Lucas Bove se colocou à disposição para atuar na pré-campanha. Ele tem contatos em associações comerciais, bancos e também com ruralistas do estado. Bove acredita que a candidatura de Flávio já unificou a base bolsonarista, gerando otimismo entre os apoiadores.
A pré-campanha ainda não tem um marqueteiro oficial designado. Duda Lima, nome tradicional do PL, já anunciou que não comandará campanhas em 2026. Ele disse que Flávio fará boas escolhas para montar um ótimo time. Em 2024, durante a campanha em São Paulo, Duda teve atritos com os bolsonaristas, que buscavam influenciar decisões internas.
A estratégia agora é ampliar a agenda de viagens pelo país a partir de fevereiro, com foco especial em São Paulo e Minas Gerais. São dois estados onde votos migraram para Lula em 2022 e que são considerados cruciais para qualquer tentativa de vitória. O caminho até lá envolve continuar a costurar alianças e apresentar uma equipe que convença tanto o mercado quanto o eleitor comum.
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