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Governo Lula retoma negociação com Trump e teme que tarifaço se torne permanente

O governo Lula voltou às trocas comerciais com os Estados Unidos na segunda-feira, buscando acalmar os temores de setores que temem um impasse que possa durar. Enfrentam a preocupação de que as tarifas elevadas continuem se consolidando se não houver avanços rapidamente. O governo tenta conter a pressão enquanto mantém a porta aberta para acordos.

Título 2
A partir da segunda-feira, o governo Lula reiniciou as negociações comerciais com os Estados Unidos, num momento em que setores industriais já sentem a ameaça de que as tarifas se tornem permanentes. As barreiras sobre aço e alumínio foram impostas em 2018 durante a gestão de Donald Trump e nenhum presidente anterior conseguiu revogá‑las. O novo administration, liderado por Joe Biden, manteve essas taxas altas, o que gera receio de que o impasse se prolongar traga um novo “tarifaço”. Para evitar esse desfecho, o governo pede ao presidente americano um acordo que inclua a redução da cobrança sobre o etanol brasileiro só se Washington também liberalizasse a produção de açúcar, ponto que Washington historicamente recusa. Na semana passada, Lula fez uma ligação para o presidente americano que, segundo fontes, descongelou a relação e convidou representantes da Casa Branca ao Palácio do Planalto. Auxiliares do governo indicam que Joesley Batista, dono da JBS, foi peça‑chave nos encontros que reuniram os dois chefes. Antes do último tarifação, o Brasil propôs a diminuição de quase 300 alíquotas, abrangendo máquinas, equipamentos e até bens de capital. Os EUA consideraram a oferta insuficiente e exigiram uma abertura mais ampla para setores como química, autopeças e eletroeletrônicos. Além disso, os americanos sondaram se o Brasil não aceitaria um acordo comercial nos moldes do recentemente firmado entre EUA e Argentina, o que foi considerado inaceitável por auxiliares de Lula — o entendimento entre as administrações Javier Milei e Trump é visto como amplamente favorável a Washington, além de conflito com normas internas do Mercosul. A reunião desta segunda-feira será entre o ministro Márcio Elias Rosa, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e o chefe do USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA), Jamieson Greer. O governo Lula vai tentar reduzir a incidência tarifária sobre o Brasil. O cenário atual, em que alguns produtos estão submetidos a tarifas de até 37,5 %, pode facilitar as negociações, uma vez que eventuais concessões americanas ainda manteriam alto nível de proteção tarifária. A gestão Lula, no entanto, pretende manter algumas das linhas vermelhas desenhadas na primeira rodada de negociações. Entre elas, a de que a redução da tarifa sobre o etanol americano importado precisa necessariamente vir acompanhada de uma liberalização dos EUA sobre o setor do açúcar — algo que Washington sempre se recusou a fazer. Como mostrou a Folha, os EUA cobraram do Brasil uma “proposta satisfatória” para não punir o país com a redistribuição de 60 mil toneladas de açúcar retiradas da cota anual brasileira. Neste mês, o governo brasileiro deu início aos procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade, que permite à União retaliar medidas comerciais aplicadas por outros países de forma injusta ou desproporcional. Nesta primeira etapa, o governo procurou os EUA e abriu consultas com diferentes ministérios da Esplanada, que se manifestarão sobre o tema. Em julho, os EUA anunciaram duas novas rodadas de tarifas contra o Brasil. Uma primeira, de 25 %, por práticas comerciais desleais, e outra, de 12,5 %, por falhas no combate à importação de produtos produzidos com trabalho forçado. Essas duas tarifas atingem simultaneamente 3.985 produtos, ou US$ 10,8 bilhões (R$ 55 bilhões) em mercadorias brasileiras aos EUA, calcula a CNI (Confederação Nacional da Indústria).

Na semana passada, Lula marcou uma ligação com o presidente americano que, segundo fontes, descongelou a relação e convidou representantes da Casa Branca ao Palácio do Planalto. Auxiliares do governo indicam que Joesley Batista da JBS desempenhou papel central nos encontros que reuniram os dois chefes. Antes do último tarifação, o Brasil ofereceu a redução de quase 300 alíquotas, cobrindo máquinas, equipamentos e bens de capital. Os EUA consideraram a proposta insuficiente e exigiram que o Brasil abreça‑se a setores como química, autopeças e eletroeletrônicos. Também sondaram a possibilidade de adotar o modelo acordos do tratado entre os EUA e a Argentina, mas essa ideia foi descartada pelo conflito com as regras do Mercosul. A reunião de segunda‑feira entre o ministro Márcio Elias Rosa e o chefe do USTR, Jamieson Greer, terá como foco principal a diminuição das tarifas que compõem o famoso “tarifaço” brasileiro. Atualmente, alguns produtos sofrem até 37,5 % de adicionais, o que pode elevar o custo final em bilhões de dólares para as exportações brasileiras. O governo quer preservar duas linhas vermelhas trazidas à tona nas primeiras rodadas: a redução do etanol importado só será condicionada a uma abertura americana no setor de açúcar. Os EUA, por sua vez, insistem em que qualquer flexibilização deve ser compensada por maior transparência nas práticas comerciais brasileiras. Embora as expectativas de um acordo concreto sejam modestas antes das eleições de outubro, o governo mantém a postura de que um progresso constante evita que a tensão se transforme em impasse permanente. Assim, a próxima semana verá mais diálogos técnicos e políticos, buscando um equilíbrio entre proteção nacional e integração comercial. e garantir maior competitividade do mercado brasileiro em 2025.

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