O próximo ano deve trazer uma triste notícia para a saúde pública do Brasil. Um estudo recente, que reuniu especialistas do mundo todo, projeta cerca de 1,8 milhão de casos prováveis de dengue em 2026. Metade dessas infecções deve acontecer em um único estado: São Paulo. Apesar do número alto, a expectativa é que o próximo período seja menos crítico do que o recorde histórico de 2024.
A análise é resultado de um esforço internacional, que uniu dezenas de pesquisadores para criar modelos de previsão mais precisos. Eles usaram dados climáticos e epidemiológicos para tentar antecipar os surtos. A boa notícia é que 2026 não deve bater o recorde do ano passado, quando o país contabilizou mais de 6,5 milhões de casos.
Ainda assim, a situação preocupa. O patamar esperado é semelhante ao de 2025, que já foi um ano com muitos registros. Isso significa que a dengue continua sendo uma ameaça real e constante para a população brasileira, exigindo atenção redobrada.
Estados em alerta máximo para a epidemia
Várias regiões do país devem entrar em estado de epidemia, segundo os parâmetros da Organização Mundial da Saúde. A projeção indica que Acre, Tocantins, Rio Grande do Norte, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e todos os estados do Sul e Centro-Oeste terão incidência alta. A taxa considerada epidêmica é acima de 300 casos para cada 100 mil habitantes.
Minas Gerais é um ponto que chama a atenção dos especialistas. O estado já registra números elevados há anos e as projeções mostram um novo crescimento. Por outro lado, alguns lugares podem ter uma leve trégua. Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Acre e Amapá devem ter uma incidência um pouco menor do que a observada em 2025.
A região Sul vive uma mudança preocupante no cenário da dengue. Antes com poucos registros, ela se tornou a vice-campeã de casos nos últimos anos. Isso acontece porque uma grande parte da população local nunca teve contato com o vírus, o que a deixa mais vulnerável à infecção.
A expansão da doença e os desafios do diagnóstico
Um fenômeno que tira o sono dos pesquisadores é a interiorização da dengue. A doença, que antes se concentrava mais nos grandes centros urbanos, agora se espalha por cidades de médio e pequeno porte. Nessas localidades, os desafios são ainda maiores. Muitos médicos não têm experiência para reconhecer os sintomas rapidamente.
O diagnóstico tardio é um risco grave para o paciente. Sem o atendimento correto e imediato, a doença pode evoluir para formas mais severas. Além disso, os municípios menores nem sempre possuem a estrutura necessária para oferecer a assistência de saúde adequada em casos de complicações.
O clima, no entanto, pode dar uma pequena ajuda em 2026. A expectativa é de um ano mais tranquilo, com a influência do fenômeno La Niña. Historicamente, esse padrão climático está associado a um menor número de casos de dengue no Brasil. É um respiro, mas não um motivo para baixar a guarda.
Prevenção e a esperança da vacina
A principal forma de combate continua sendo a prevenção. Eliminar os criadouros do mosquito Aedes aegypti é fundamental. O inseto se reproduz em qualquer água parada, desde uma tampinha de garrafa até um pratinho de vaso de planta. Verificar quintais e calhas regularmente é um hábito que salva vidas.
O uso de repelente também é um aliado poderoso, principalmente no verão. E vale um alerta importante: se você estiver com suspeita de dengue, use repelente. Isso evita que um mosquito pique você e depois transmita o vírus para outras pessoas saudáveis, interrompendo a cadeia de contágio.
Uma novidade positiva veio com a aprovação da vacina Butantan-DV pela Anvisa. As primeiras doses serão destinadas a profissionais de saúde da atenção primária. A ideia é, aos poucos, ampliar a oferta no SUS para outras faixas etárias. A vacina é uma ferramenta crucial, mas não substitui os cuidados para evitar a proliferação do mosquito, que também transmite chikungunya e zika.
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