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Gritos de dor e esquivas: servidor leva sequência de tapas, ao ser submetido a “teste” de vereador

Os gritos de dor do homem não comoveram seu patrão. O agressor, vereador Tancredo dos Santos, do PL de Caucaia, chamou a violência de "teste da caveira". Antes da série de tapas, ele ainda insultou o servidor, chamando-o de "muito lesado". Por fim, arrancou a camisa que poderia amortecer os golpes.

A agressão, registrada em vídeo, não parou por aí. Um segundo homem, usando um capuz, aplicou um tapa na nuca da vítima. O golpe foi tão forte que derrubou o servidor. O episódio expõe um abuso de poder chocante, onde a autoridade do cargo foi usada para intimidar e violentar.

As imagens revelam outro detalhe perturbador. O colete usado pelo vereador ostenta a logomarca oficial da Câmara Municipal de Caucaia. No equipamento, porém, não havia itens de trabalho típicos. Em vez disso, carregava uma pistola e um par de algemas. A simbologia mistura o público com a violência de forma inaceitável.

Histórico de confrontos

A trajetória do parlamentar já era marcada por polêmicas. Antes de ser eleito em Caucaia, Tancredo atuava como chefe de gabinete do vereador Inspetor Alberto, também do PL. Juntos, os dois se envolveram em um episódio famoso. Participaram de uma operação para capturar o criminoso Lázaro, longe da área de atuação oficial.

A iniciativa rendeu aos dois um processo no Ministério Público. Eles foram acusados de usurpação de função pública. A investigação também apurou a posse ilegal de armas de grosso calibre durante o evento. Foi um prenúncio dos métodos que continuariam a ser empregados.

Em Caucaia, a parceria continuou gerando casos. O então chefe de gabinete, Tancredo, aparecia ao lado do vereador em situações de tensão. O histórico inclui desde agressões físicas, como um chute em um suplente, até ameaças de prisão a outro colega do legislativo. Um padrão de intimidação se consolidava.

Entre a fiscalização e o nepotismo

O discurso público do vereador é de vigilância. Ele se autointitulava "fiscal do povo" antes da eleição. No entanto, essa postura parece seletiva. Críticas a programas sociais esvaziados na gestão do prefeito Naumi Amorim, por exemplo, não são uma prioridade em sua atuação.

Uma nomeação na prefeitura chamou a atenção. A esposa do vereador foi contratada pela atual gestão municipal. O salário inicial era de cinco mil reais. Essa prática esbarra em uma regra clara do Supremo Tribunal Federal, a Súmula Vinculante 13.

A norma proíbe expressamente o nepotismo cruzado. Isso significa que um poder, como o Legislativo, não pode ter parentes contratados no Executivo, e vice-versa. O princípio visa proteger a moralidade e a impessoalidade na administração pública. Informações inacreditáveis como estas mostram os desafios da transparência.

Silêncio das instituições

Diante do vídeo gravado, muitas perguntas ficaram sem resposta. A reportagem tentou ouvir a Mesa Diretora da Câmara de Caucaia. O objetivo era entender como a logomarca oficial da Casa foi parar em um colete com armas. Nenhum posicionamento foi fornecido até o momento.

A vítima direta das agressões também não pôde ser localizada. O servidor submetido ao tal "teste da caveira" sumiu do radar. Sem seu depoimento, um lado fundamental da história permanece em silêncio. Tudo sobre o Brasil e o mundo aqui, no portal Pronatec.

O caso segue como um retrato de abuso de poder. Mostra como símbolos públicos podem ser desvirtuados e como vítimas podem ser silenciadas pelo medo. O episódio do "teste" violento é apenas a ponta de um iceberg de condutas questionáveis. O desfecho, agora, depende das investigações e da resposta da sociedade.

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