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Complexo do Alemão, no Rio, tem ruas cobertas por telhados, e polícia vê ação de facção contra drones

Bruno Fanttieri, do Complexo do Alemão, em Niterói, tem vivido transformações inquietantes nas últimas semanas. Ruas que antes eram visíveis estão agora envoltas por telhados e estruturas que parecem fechar os olhos à vigilância. A polícia do Rio identificou mudanças significativas, comparando fotos de satélite de 2025 com registros aéreos de 2026. O resultado é surpreendente: vias que antes podiam ser filmadas agora ficam sombreadas, dificultando qualquer observação de fora.

Os investigadores apontam que as alterações foram deliberadas. Telhados instalados em corredores estreitos e antigos estacionamentos servem como blindagem contra drones rivais. Além disso, escadas e vielas ganharam coberturas que bloqueiam qualquer visão. “Isso é uma evolução das medidas anteriores”, diz o delegado Fabrício Oliveira. “As lonas e as bocas de fumo eram temporárias; agora temos estruturas robustas que protegem tanto contra ataques aéreos quanto facilitam a ocultação de atividades ilegais.”

Mas essa proteção tem um preço. “Não conseguimos visualizar o que acontece debaixo desses telhados”, explica o policial. “A operação se torna mais arriscada quando não sabemos o que as pessoas fazem”. Essa dificuldade de monitoramento contraria o objetivo inicial das barreiras, que deveriam dificultar o esconderijo da cúpula do Comando Vermelho e outros grupos. A situação expõe uma falha estratégica que precisará de atenção urgente.

Agora vamos falar de outro lugar, no Rebu, em Niterói, onde o mesmo padrão se repete. A Polícia Civil e a prefeitura trabalharam juntos para destruir uma estrutura similar em uma comunidade local. O caso ilustra um padrão crescente que já começou a gerar muitas notícias. Cada mês traz novas relatos de drones sendo usados com granadas ou como armas de guerra urbana.

Os dados do Disque-Denúncia mostram um aumento alarmante. O primeiro relato de drone armado data de 2023, e em 2024 já havia quatro casos. Em 2025, o número saltou para 73, incluindo denúncias contra traficantes e outros 14 relacionados a milicianos. Um exemplo recente aconteceu no sábado passado, quando duas pessoas que montavam brinquedos para uma festa infantil foram feridas após um drone lançar uma bomba sobre o bairro dos Dourados, na cordilheira de Rio.

O bairro dos Dourados fica sob a influência do Terceiro Comando Puro, liderado por Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão. Ele domina outros complexos vizinhos e é um fugitivo sem advogado. O uso de drones por facções é monitorado há muito tempo, desde 2017, quando a corporação percebeu a aquisição de equipamentos por Peixão para espionagem. Isso levou a criação, em julho de 2017, da Coant, que reúne pilotos internos e concentra inteligência sobre esses drones.

Essa coorte de pilotos tem investido pesado na tecnologia, comprando seis drones chineses com um investimento de R$ 2,1 milhões nos dois anos anteriores. O intuito é ficar à frente das ameaças aéreas, mas o custo das medidas físicas parece estar comprometendo a visibilidade policial. Quando barreiras físicas bloqueiam a visão, a polícia perde parte do seu poder de planejamento.

O complexo do Alemão, na zona norte, acumula essas tendências em seus labirintos. Vias e vielas que antes eram mapeáveis agora são cobertas por telhas improvisadas. Uma laje até virou piscina, criando espaços que podem servir de refúgio. Os investigadores apontam que essas estruturas dificultam a operação de monitoramento e podem transformar bairros em trampas invisíveis para quem tenta agir sem ser visto.

Essa realidade é mais do que uma curiosidade técnica; ela representa um desafio real para a segurança pública. Cada novo edifício blindado esconde mais possibilidades de crimes e dificulta a ação preventiva. A comunidade enfrenta uma situação em que a tecnologia de vigilância clássica está sendo superada por soluções físicas que complicam a tarefa dos agents. A necessidade de inovação e adaptação torna-se imperativa para manter a ordem.

Diante desse cenário, é preciso ter empatia pelos policiais que lutam contra um adversário inteligente. E também reconhecer que as vítimas das operações de drones sofrem consequências imediatas. Dois inocentes ficaram feridos por um bomba arremessada contra crianças que só queriam brincar. Essas histórias mostram que a violência em Niterói ainda está presente, embora assuma formas cada vez mais sofisticadas.

A situação no Complexo do Alemão é apenas um exemplo de um problema maior que atravessa várias regiões do Rio. Dourados, Rebu e outras áreas estão sentindo esse impacto. A crescente denunciação e a adoção de medidas físicas para bloquear drones indicam que a resposta precisa ser multifacetada. Investir em inteligência humana e tecnológica ao mesmo tempo será crucial para equilibrar segurança e eficácia nas patrulhas. O desafio é grande, mas a comunidade e as autoridades estão conscientes da urgência.

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