Você sempre atualizado

Fifa: Infantino enfrenta maior crise após plano frustrado

Você já reparou como algumas notícias do mundo do futebol parecem sair de um roteiro de filme? Acontece que, às vezes, a realidade supera a ficção. A Federação Internacional, a famosa FIFA, vive um daqueles capítulos que misturam poder, polêmicas e reviravoltas. No centro da história está seu presidente, Gianni Infantino, uma figura que construiu uma trajetória meteórica no cartolato mundial. Sua recente carta à “família do futebol”, pedindo desculpas e recuando de uma proposta ousada, pegou muitos de surpresa. Afinal, gestos assim não são comuns em seu repertório.

Infantino chegou ao topo em 2016, prometendo uma era de transparência após uma das maiores crises da entidade. Agora, dez anos depois, ele navega por águas turbulentas novamente. A proposta de terceirizar parte comercial da Copa do Mundo acendeu um alerta geral entre as federações. O projeto, chamado FIFA Forward Enterprise, previa colocar 20% dos direitos do torneio nas mãos de investidores privados. A ideia foi recebida com desconfiança e virou um ponto de discórdia global.

O recuo anunciado por Infantino soa como uma tentativa de acalmar os ânimos. Ele prometeu que os erros não se repetiriam e negou rumores sobre acertos políticos, como oferecer a final da Copa de 2030 ao Marrocos em troca de apoio. Mas a pergunta que fica é: até que ponto esse movimento é tático? Em uma organização com 211 países membros, maior que a própria ONU, o equilíbrio de poder é tudo. E ele parece estar recalculando a rota para manter seu comando.

Uma ascensão marcada por números e polêmicas

A trajetória de Infantino é singular. Nascido na Suíça, filho de imigrantes italianos, ele encontrou no futebol seu porto seguro. Aos 18 anos, já presidia um clube local. Sua carreira decolou na UEFA, onde sua fluência em vários idiomas e habilidade com números o levaram ao cargo de secretário-geral. Ele ficou conhecido do grande público durante os sorteios da Champions League, com um estilo quase teatral. Em 2016, assumiu a FIFA com a missão de restaurar a credibilidade da entidade, abalada por escândalos de corrupção.

Seu discurso sempre foi de inclusão e distribuição de renda. “O dinheiro da FIFA é seu dinheiro”, ele costuma dizer. De fato, os investimentos em desenvolvimento dobraram. Entre 2023 e 2026, a entidade distribuirá 2,25 bilhões de euros entre federações. Esse dinheiro financia desde campos e bolas até o futebol feminino. Para países pequenos, o volume é tanto que chega a ser um desafio gastar. Para potências como o Brasil, o impacto direto é menor, mas o simbolismo de um maior repasse é inegável.

No entanto, seu estilo de gestão também gera atritos. Infantino cultivou uma rede de relações próximas a figuras poderosas, incluindo chefes de estado e até o ex-presidente americano Donald Trump. Essas aproximações renderam cenas no mínimo curiosas, como presentear Trump com um troféu da paz da FIFA ou anular um cartão vermelho de um jogador da seleção dos EUA após um pedido da Casa Branca. Para muitos, são gestos que borram a linha entre a política e o esporte.

O projeto que abalou as estruturas e a reação em cadeia

A ideia de criar o FIFA Forward Enterprise foi o estopim para a atual crise. A proposta, vazada para a imprensa, colocaria uma fatia significativa da Copa do Mundo – o maior evento esportivo do planeta – sob controle de um consórcio privado. O principal nome envolvido era Joshua Kushner, irmão do genro de Donald Trump. A reação não demorou: federações europeias, que já estavam descontentes, retiraram publicamente o apoio à candidatura de Infantino para um novo mandato.

A resistência se espalhou. A UEFA, da Europa, lidera a oposição. A AFC, da Ásia, e a CONCACAF, da América do Norte e Central, também engrossaram o coro contra o projeto. A CAF, da África, declarou confiança no presidente, enquanto a CONMEBOL, da América do Sul, manteve seu tradicional perfil mais reservado. O que se viu foi uma rara demonstração de força coletiva contra uma decisão do alto comando da FIFA, algo que não acontecia desde os tempos de seu antecessor, Joseph Blatter.

Infantino, então, fez algo inédito: pediu desculpas e recuou. A carta à “família do futebol” foi seu modo de debelar um motim que crescia até dentro de seu círculo mais próximo. O episódio mostrou que há limites, mesmo para um presidente que costuma agir com pulso firme. Agora, o foco volta a se deslocar para outras bandeiras de sua gestão, como a expansão da Copa do Mundo para 48 seleções – a maior de todos os tempos – e o discurso permanente de maior inclusão no futebol mundial.

O caminho à frente para Gianni Infantino parece ser uma reedição de receitas antigas, que funcionam há décadas na FIFA. A habilidade de distribuir recursos e criar novas oportunidades mantém sua base de apoio em muitas partes do globo. O recuo tático sobre a terceirização pode ter sido necessário para garantir seu futuro, inclusive a possibilidade de um quarto mandato em 2027. O futebol, como sempre, segue seu jogo, onde as jogadas fora de campo são tão decisivas quanto aquelas dentro das quatro linhas. Informações inacreditáveis como estas, você encontra somente aqui no site Clevis Oliveira.

Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.