O Instituto Nacional do Seguro Social está acelerando o ritmo de análise dos pedidos de benefícios. O resultado mais visível é uma redução expressiva na fila de espera. Em julho, o número de solicitações pendentes chegou a 1,55 milhão, uma queda de mais de 50% em relação ao pico registrado em fevereiro.
Um ponto que chama a atenção é a redução drástica nos casos mais críticos. O total de pessoas aguardando uma resposta há mais de 45 dias caiu 80% desde janeiro. Essa demora, além de causar angústia ao segurado, gera custos extras aos cofres públicos por conta de indenizações por atraso.
Para chegar a esse cenário, o INSS intensificou tanto as concessões quanto as negativas. De janeiro a maio, a média mensal de benefícios aprovados foi de 683,8 mil, um salto de 72,5% na comparação com 2021. No mesmo período, as recusas também aumentaram significativamente.
Como o INSS está tentando reduzir a espera
A Previdência Social atribui os avanços a uma combinação de medidas. Uma delas foi a implementação de um programa de bônus por produtividade para os servidores. Outra ação importante foi a contratação de novos peritos médicos, profissionais essenciais para analisar casos de auxílio-doença.
O órgão também modificou o sistema de atendimento à distância, o Atestmed, para agilizar certos tipos de concessão. Além disso, os mutirões de análise continuam sendo uma ferramenta frequente para destravar processos. Tudo isso foi feito em um contexto de equipe enxuta, com 40% menos servidores do que há uma década.
O tempo médio para se obter uma resposta, seja ela positiva ou negativa, caiu pela metade. Em 2021, a espera era de 108 dias. No final de junho deste ano, esse prazo havia caído para 50 dias. A proporção entre pedidos aprovados e recusados se mantém equilibrada, em torno de 50% para cada lado.
Os desafios que ainda permanecem
Especialistas alertam, porém, que velocidade não pode vir em detrimento da qualidade. A presidente da comissão de direito previdenciário da OAB-SP, Adriane Bramante, observa que alguns tipos de análise de fato estão mais ágeis, como as aposentadorias por idade. No entanto, os processos que dependem de perícia médica presencial ainda enfrentam entraves e podem levar mais de seis meses.
A advogada faz um alerta crucial: “O que não pode é querer diminuir a fila sem qualidade nas análises. Nesse caso, a fila só muda de lugar”. Quando um benefício é indevidamente negado, o cidadão é obrigado a recorrer administrativamente ou judicialmente, o que apenas transfere e alonga o problema, sem resolvê-lo de fato.
Outra fila que preocupa é a de “exigências”, quando o INSS solicita documentos complementares. Embora tenha caído 32% desde fevereiro, ainda havia 777 mil casos nessa situação em julho. Enquanto a exigência não for atendida, o processo fica completamente paralisado.
O que o segurado pode fazer para facilitar
Para evitar atrasos desnecessários, a recomendação principal é checar com antecedência o Cadastro Nacional de Informações Sociais. Esses dados são a base para qualquer análise do INSS. Qualquer inconsistência, como vínculos empregatícios ou salários não registrados, deve ser corrigida antes do pedido.
Caso o instituto emita uma exigência durante a análise, a entrega dos documentos complementares deve ser feita preferencialmente pelo aplicativo ou pelo site Meu INSS. O atendimento presencial nas agências hoje está reservado para situações muito específicas ou quando a apresentação do documento original é obrigatória.
A sensação geral é de que há um esforço real para destravar um sistema historicamente congestionado. Os números mostram progresso, mas o caminho até um serviço ágil e confiável ainda depende de análises criteriosas e da contínua modernização dos processos.
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