O governo do Rio de Janeiro enviou ao Supremo Tribunal Federal um plano para reocupar territórios em algumas comunidades. A ideia é levar policiamento permanente e, depois, investir em urbanismo e infraestrutura. A corte havia exigido essa estratégia, que busca uma presença mais duradoura e eficaz do poder público.
O plano surge pouco mais de 50 dias após a operação Contenção, que resultou em 122 mortes no Complexo da Penha. Esse episódio entrou para a história como a ação policial mais letal do país. Agora, a proposta tenta desenhar um caminho diferente, focado em estabilidade e serviços.
Esta não é a primeira tentativa do governador Cláudio Castro. Um projeto anterior, chamado “Cidade Integrada”, começou em 2022 mas não avançou. Ele ficou restrito às comunidades do Jacarezinho e da Muzema. O próprio governo reconhece que essa iniciativa teve falhas, como a falta de participação de moradores e prefeitura no planejamento.
### Como vai funcionar o policiamento
A primeira etapa envolve operações policiais para desarticular grupos criminosos. O governo espera contar até com forças federais e das Forças Armadas nessas ações. O objetivo declarado é evitar o padrão histórico de ocupações breves e desconectadas da realidade local.
Após essa fase inicial, a proposta prevê a instalação de bases policiais fixas. Elas funcionariam 24 horas por dia, com um modelo de policiamento comunitário. O monitoramento da área também usaria tecnologia, como câmeras de vigilância.
Além da polícia, o plano promete a presença de guarda municipal comunitária, defensoria pública e ouvidoria. A ideia é criar espaços para a justiça e formar lideranças locais que possam dialogar formalmente com o governo. São promessas que buscam construir legitimidade.
### Quais áreas serão atendidas primeiro
A fase inicial do plano está focada em três locais da Zona Oeste do Rio: Rio das Pedras, Muzema e Gardênia Azul. A reocupação nessas comunidades deve começar, segundo o cronograma, no primeiro trimestre de 2026. A região se tornou um grande centro de disputas entre milícias e facções.
O governo justifica a escolha alegando que essas áreas apresentam menor risco operacional. A geografia plana, diferente de favelas em morros, facilitaria o deslocamento das equipes. Rio das Pedras e Muzema, juntas, abrigam cerca de 75 mil pessoas.
A avaliação técnica considerou a menor probabilidade de confrontos prolongados e o risco reduzido para civis. Na Muzema, a recente mudança no domínio do território para o Comando Vermelho seria um fator. Em Rio das Pedras, a atuação da milícia é considerada mais previsível.
### De onde sairão os recursos
O governo estadual afirma que usará fundos próprios, como o Fised e o Fusp-RJ, para bancar as ações de segurança. No entanto, a decisão do Supremo é clara: o plano precisa ter alocação obrigatória de recursos das três esferas – federal, estadual e municipal.
O relatório enviado à corte não detalha o custo total do programa. Uma planilha de custos é apresentada, mas todos os valores estão em branco. O documento apenas afirma que governos federal e municipal têm o dever jurídico de garantir sua parte no financiamento.
A execução, portanto, ainda depende de um acordo sobre quem paga a conta. Sem esse detalhamento, fica a dúvida sobre a viabilidade prática de todas as promessas. O desafio agora é transformar o documento em ação concreta e financiada.
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