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Família de holandês morto nas Cataratas do Iguaçu relata falhas de segurança

Dois sobreviventes do acidente no Parque Nacional do Iguaçu deram um depoimento que levanta questões sérias sobre a segurança do passeio. Eles estavam no mesmo barco do Macuco Safari que virou na última terça-feira. O turista holandês Mark Lensink, de 25 anos, não resistiu e faleceu após o ocorrido.

Os relatos à Polícia Civil apontam uma falta clara de orientações por parte da empresa. Os turistas receberam os coletes salva-vidas sem qualquer explicação sobre o uso correto. Não houve um briefing sobre o que fazer em uma situação de emergência, como o naufrágio.

Mais grave ainda: os coletes distribuídos não funcionaram como deveriam. Segundo os sobreviventes, o equipamento subia na água porque não tinha uma feta entre as pernas. Esse detalhe prático faz toda a diferença para manter a pessoa flutuando na posição correta.

A onda que virou tudo

O acidente aconteceu por volta do meio-dia, durante um passeio particular com oito pessoas. O grupo era formado por seis turistas holandeses e dois tripulantes. Eles navegavam nas proximidades das Cataratas quando uma onda forte atingiu o barco.

A embarcação virou em questão de segundos, deixando todos presos debaixo dela. O sogro da vítima descreveu a cena como algo repentino e assustador. A força da água naquele trecho do rio Iguaçu é conhecida, o que exige protocolos rígidos.

Mark Lensink e outro passageiro conseguiram sair de baixo do barco rapidamente. Eles começaram a procurar pelos outros membros da família. Enquanto isso, a situação debaixo d’água era de total desorientação para quem ainda estava preso.

A busca pelos sobreviventes

O concunhado de Mark conseguiu resgatar a noiva e sua sogra após o naufrágio. No entanto, após esse primeiro momento de socorro, ele perdeu de vista o turista holandês. A correnteza e a turbulência das águas dificultaram ainda mais as buscas.

Mark foi retirado da água em parada cardiorrespiratória. A equipe do parque prestou os primeiros socorros no local antes de levá-lo para o hospital. A morte foi confirmada no Hospital Municipal de Foz do Iguaçu. Outras quatro vítimas receberam atendimento no parque.

O piloto e o copiloto da embarcação também procuraram ajuda médica depois. Eles foram avaliados no ponto de apoio do Porto Seco do Kattamaram. O susto e o esforço para salvar os passageiros deixaram sequelas físicas e emocionais em todos.

As contradições da empresa

A Polícia Civil destacou a falta de protocolos de segurança como um ponto central. O delegado Carlos Eduardo Pezzette Loro mencionou a ausência de orientações sobre como usar o colete e o que fazer caso o barco vire. A investigação segue para apurar responsabilidades.

O Macuco Safari, por sua vez, afirma que todos os passageiros recebem orientações. O gerente administrativo Paulo Ricardo de Cordova disse que existem briefings antes do passeio e placas informativas em três idiomas. A empresa alega ter feito uma reciclagem de segurança com a equipe na semana passada.

Eles também defenderam o modelo do colete utilizado, chamado de “colete canga”. Segundo a explicação, ele teria uma proteção lateral no pescoço para evitar que uma pessoa desacordada afunde. No entanto, o relato dos sobreviventes contradiz diretamente a eficácia desse equipamento na prática.

A retomada das atividades

O Macuco Safari é uma das atrações mais populares do parque, dividida em três etapas. Os visitantes fazem um trajeto em veículos elétricos, uma caminhada por trilha suspensa e a navegação até as Cataratas. A atividade foi suspensa por três dias após o acidente.

As operações foram retomadas no sábado seguinte. O ICMBio, órgão responsável pela gestão do parque, emitiu uma nota lamentando o ocorrido. Eles afirmaram que a documentação da concessionária está regular e que colaboram com as investigações.

A tragédia coloca um holofote sobre a fiscalização e os padrões de segurança em passeios turísticos de aventura. Enquanto as autoridades buscam respostas, famílias e turistas ficam com uma pergunta crucial: até que ponto os protocolos são realmente aplicados e testados?

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