A oito meses da eleição para a presidência da Fifa, Gianni Infantino enfrenta uma tempestade política inédita. Diferente das eleições anteriores, em que foi confirmado sem adversários, agora o dirigente vê sua hegemonia desafiada por críticas abertas. As confederações continentais, antes alinhadas, hoje questionam publicamente sua liderança e projetos.
O estopim dessa crise foi uma proposta polêmica que acabou retirada. A ideia era vender parte dos direitos comerciais das Copas do Mundo por meio de uma nova empresa, a Fifa Forward Enterprise. A rejeição foi quase unânime entre Europa, América do Norte e Ásia, que criticaram a falta de transparência. A pressão foi tão forte que até o principal assessor de Infantino se opôs e pediu demissão.
Mesmo com o recuo, a desconfiança permanece. A Uefa, que comanda o futebol europeu, emitiu uma nota dura afirmando ter perdido a confiança na gestão atual. A entidade criticou os “planos secretos” e a governança questionável. A federação inglesa também cobrou uma revisão completa da liderança da Fifa, em benefício de todas as 211 nações membros.
## As articulações da oposição ganham força
Diante do desgaste, a oposição já trabalha para consolidar uma alternativa para a eleição de 2027. A imprensa britânica aponta dois nomes como possíveis candidatos fortes. O primeiro é Victor Montagliani, presidente da Concacaf, a confederação da América do Norte, Central e Caribe. Seu nome é visto com crescente força no cenário internacional.
Outro consenso entre os europeus é Nasser Al-Khelaifi, presidente do Paris Saint-Germain e da Qatar Sports Investments. Ele possui grande influência e prestígio no futebol mundial, sendo considerado um rival com chances reais. Sua rede de contatos e poder econômico o colocam em posição de destaque nessa disputa.
No entanto, qualquer oponente enfrentará um forte obstáculo: a popularidade de uma proposta de Infantino. O atual presidente planeja ampliar a Copa do Mundo de 2030 para 64 seleções. A medida é muito bem recebida por federações na África, Ásia e Américas, o que pode garantir a ele um apoio massivo na hora do voto.
## Os pilares de apoio que seguem firmes
Apesar da revolta na Europa e na América do Norte, Infantino não está isolado. Ele preserva aliados poderosos, com a Confederação Africana de Futebol (CAF) como seu pilar mais sólido. Durante a polêmica da FFE, a CAF manteve uma posição cautelosa, sem aderir à rejeição aberta das outras confederações.
O presidente da CAF, Patrice Motsepe, elogiou publicamente o “profundo compromisso” de Infantino com o futebol global e seu apoio à África. Ele destacou o papel fundamental do dirigente em ampliar as oportunidades para as seleções africanas no cenário mundial. Esse apoio é um trunfo valioso em um continente com grande peso votante.
Federações de países que sediaram ou sediarão Copas também manifestaram apoio. A federação marroquina considerou sábia a decisão de recuar da proposta, pois priorizou a unidade. Já a federação do Qatar reafirmou total apoio aos esforços de Infantino para desenvolver o futebol globalmente, mesmo elogiando a retirada do plano.
## O silêncio estratégico da América do Sul
Enquanto o mundo se divide, a posição sul-americana é de neutralidade cautelosa. A CBF, até o momento, não emitiu qualquer posicionamento público sobre a proposta da FFE ou a crise na Fifa. O silêncio é visto como uma postura estratégica, aguardando os desdobramentos do cenário político.
A Conmebol, confederação que rege o futebol no continente, também se esquiva de tomar partido. Ela publicou uma nota informando que pediu mais detalhes sobre o projeto à Fifa e iniciou consultas com suas associações membro. O comunicado destacou a responsabilidade e o rigor necessários para analisar um assunto de tal magnitude.
Essa postura reflete um cálculo político. A América do Sul, com suas dez federações, é um bloco de votos influente. Seu posicionamento final pode ser decisivo em uma eleição apertada. Por enquanto, a região observa o jogo de forças sem revelar suas cartas, mantendo sua relevância nas negociações futuras.
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