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Consumo de Cannabis entre meninas triplica em 10 anos e chega a 7,9%, diz Unifesp

Você sabia que o consumo de cannabis mais que dobrou no Brasil nos últimos dez anos? Um levantamento recente, feito em 2023 com milhares de pessoas, mostrou essa mudança. Os números revelam uma transformação importante no perfil de quem usa a substância.

O estudo aponta que hoje quase 16% da população acima de 14 anos já experimentou cannabis. Isso representa cerca de 28 milhões de pessoas. A mudança mais significativa, porém, está entre os adolescentes.

Pela primeira vez, o consumo caiu entre os meninos. Por outro lado, triplicou entre as meninas de 14 a 17 anos. Essa inversão é um fenômeno novo e que chama a atenção dos especialistas.

O que explica essa mudança entre os jovens?

Os pesquisadores levantam algumas hipóteses. Para os meninos, pode haver uma migração para outros hábitos, como o uso de vaporizadores e a participação em jogos de aposta. São práticas que ganharam muito espaço nos últimos anos.

No caso das meninas, a discussão é diferente. Especialistas citam a piora na saúde mental dessa faixa etária. Sintomas de ansiedade e depressão se intensificaram, especialmente após a pandemia.

Somado a isso, há uma menor percepção de risco sobre a cannabis hoje. A atitude da sociedade em relação à droga mudou, um fenômeno observado globalmente. A forte exposição à internet e às redes sociais também influencia esse comportamento.

Os riscos específicos para os adolescentes

O cérebro adolescente ainda está em formação. O THC, componente psicoativo da cannabis, pode alterar esse desenvolvimento. Isso cria predisposições a problemas de saúde mental que antes não existiam.

Para os jovens, a substância pode ter um efeito estimulante e desencadear crises de ansiedade ou até ataques de pânico. Em alguns casos, pode contribuir para o desencadeamento de quadros psicóticos.

Por isso, adiar o primeiro contato com drogas, incluindo o álcool, é tão crucial. Começar a beber cedo aumenta a vulnerabilidade a outras substâncias. Isso acontece não porque o álcool seja uma "porta de entrada", mas porque eleva riscos ligados à impulsividade.

O panorama do consumo no Brasil

A forma de consumo predominante no país ainda é o fumo do prensado, usado por cerca de 90% dos usuários. No entanto, produtos alternativos começam a aparecer, ainda que de forma minoritária.

Cerca de 10% das pessoas recorrem a comestíveis, e aproximadamente 4% utilizam vaporizadores. O mercado se diversificou, com o surgimento dos canabinoides sintéticos, as chamadas "drogas K".

Esse cenário mais complexo traz riscos adicionais, principalmente pela potência desconhecida de algumas substâncias. O consumo de outras drogas ilícitas, como ecstasy e alucinógenos, também apresentou alta na última década.

A importância das políticas de prevenção

Os dados reforçam a necessidade de ações voltadas especialmente para os jovens. Especialistas defendem que essas políticas devem ser baseadas em evidências científicas e considerar a cultura local.

Programas de prevenção que funcionam focam no desenvolvimento de habilidades sociais. Eles ensinam os adolescentes a resistir à pressão do grupo. A fase crucial para essa intervenção é durante os anos finais do ensino fundamental.

Políticas sem comprovação podem ser ineficazes e até produzir o efeito contrário. O ideal é que as ações envolvam não só os estudantes, mas também suas famíias e a comunidade escolar. O objetivo é criar um ambiente de apoio e informação clara.

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