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Cobertura onde Elize Matsunaga esquartejou o marido é colocada à venda por R$ 2,8 milhões em SP

A cobertura onde aconteceu um dos crimes mais chocantes do país está à venda. O imóvel, localizado na Vila Leopoldina, em São Paulo, foi palco do assassinato de Marcos Matsunaga pela esposa, Elize, em 2012. O anúncio pede R$ 2,8 milhões pelo lugar que carrega uma história tão pesada.

O apartamento chama atenção pelas dimensões e comodidades. São 340 metros quadrados, fruto da junção de duas unidades. A propriedade conta com cinco suítes e quatro vagas na garagem. O espaço inclui ainda piscina privativa, banheira de hidromassagem e área para churrasco.

Os custos mensais, no entanto, são altos. O condomínio está orçado em mais de seis mil reais. O IPTU anual passa de dezenove mil. O anúncio já está publicado há um mês em plataformas especializadas.

O imóvel e sua história

O prédio na Rua Carlos Weber foi construído nos anos 1990. A cobertura à venda é uma das poucas do tipo no condomínio. Seus vidros são antirruído, um detalhe que ganhou significado trágico.

Foi em uma dessas salas que Marcos Matsunaga levou um tiro na cabeça. Após o disparo, Elize arrastou o corpo do empresário por doze metros. O deslocamento foi até um quarto, onde o esquartejamento foi realizado.

Semanas depois, Elize retornou ao local com a polícia. A perícia usou reagentes químicos para detectar sangue. Os testes confirmaram vestígios humanos no trajeto entre a sala e o quarto.

A vida do casal antes do crime

Marcos Matsunaga era um empresário bem-sucedido, dono da conhecida marca de alimentos Yoki. Ele também cultivava hobbies como a fotografia amadora e a enologia. Vizinhos do casal o descreviam como uma pessoa discreta e simpática.

O casal vivia naquela cobertura de luxo na zona oeste paulistana. A vida aparentemente tranquila escondia conflitos que viriam à tona. Em maio de 2012, uma discussão doméstica teve um fim brutal.

Elize confessou o crime logo após ser presa. Ela alegou ter sofrido agressões e traições por parte do marido. A defesa usou esses argumentos para tentar reduzir a pena.

O desfecho judicial e a venda

Inicialmente, Elize Matsunaga foi condenada a quase vinte anos de prisão. Um recurso de sua defesa revisou a sentença. Em 2019, a pena foi reduzida para dezesseis anos e três meses, por conta da confissão.

Ela cumpriu parte da sentença na Penitenciária Feminina de Tremembé. Com bom comportamento, obteve o direito à progressão de regime em maio de 2022. Agora, em regime aberto, a vida segue enquanto o imóvel do crime busca um novo dono.

A venda do apartamento levanta questões sobre memória e valor. Um imóvel com tal histórico pode despertar curiosidade mórbida ou repulsa. O preço alto reflete sua localização e infraestrutura, não seu passado.

O mercado imobiliário paulistano já viu outras propriedades com histórias similares serem comercializadas. O tempo costuma ser o maior aliado nesses casos, apagando gradualmente as marcas do passado. A cobertura aguarda agora quem esteja disposto a escrever nela uma nova página.

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